TREVO BRANCO
 
ENCICLOPÉDIA

Nome científico: Trifolium repens

Família: Leguminosae

Nome comum: trevo branco.

Importância e princípio tóxico: planta cianogênica, que possui glicosídeo cianogênico como princípio ativo principal, que se torna tóxico ao entrar em contato com enzima específica, presente no trato digestivo, que o hidroliza produzindo desta forma ácido cianídrico, glicose e benzaldeído. Os efeitos tóxicos, se devem por sua vez, ao íon cianeto, proveniente do ácido cianídrico, que atua inibindo a enzima citocromo oxidase, desta forma impedindo que as células recebam oxigênio das hemácias.

Descrição botânica: planta rasteira de porte pequeno, de ramos enraizantes; as flores são brancas e reunidas em capítulos.

Distribuição e habitat: utilizado como forragem na região Sul do Brasil.

Condições que favorecem a ocorrência das intoxicações: falta de conhecimento no aproveitamento como forrageira e como suplemento na seca; administração de grandes quantidades, verdes ou secas muito rapidamente.

Partes tóxicas: folhas e brotos

Animais sensíveis à intoxicação:

Em condições naturais principalmente bovinos, e nas experimentais, os ruminantes, eqüinos, galinhas, coelhos e cobaios.

Algumas observações quanto a toxidade das plantas cianogênicas:

- o conteúdo de glicosídeo cianogênico aumenta com a adubação nitrogenada, e também pelo uso de herbicidas 2,4 D; 2,4,5 T e MPC.

- a ação de geada, granizo, murcha ou pisoteio, aumentam o conteúdo de ácido cianídrico (HCN);

- as plantas cianogênicas, muito jovens, de crescimento rápido ou verde escuro, contém maiores quantidades de glicosídeo cianogênico;

- boa parte do HCN se volatiliza, quando a planta é cortada e colocada para secar lentamente;

- a dose letal pode variar também em função da rapidez com que a planta é ingerida, pelo fato do pricípio tóxico ser de fácil absorção e eliminação; da tolerância do animal ao princípio tóxico, adquirida através da ingestão de pequenas quantidades do mesmo, o que torna necessário a ingestão de doses maiores para que ocorra a intoxicação.

- idade da planta; pH do gástrico; espécie animal.

Desenvolvimento dos sintomas após a ingestão da planta:

Intoxicação aguda

 

Para animais sensíveis, que tenham ingerido plantas com grandes quantidades de princípio ativo

Sintomas: 3 a 5 minutos após ingestão;

Evolução: 2 a 3 minutos

Grandes doses do princípio ativo

Sintomas: aproximadamente 15 minutos após a ingestão da planta;

Evolução: de 15 a 120 minutos

Intoxicação crônica

ingestão da planta em quantidades normais  por período prolongado (suplementação durante a seca).

Sintomas para plantas cianogênicas, de um modo geral:

- anóxia cerebral;

-bócio hiperplástico em ovelhas que ingerem quantidades normais de plantas cianogênicas, e por um período prolongado; podem também nestas condições, desenvolver hipotireoidismo.

Profilaxia - recomendações para as plantas cianogênicas de um modo geral:

- no período de rebrota, retirar o gado do pasto.

- quando os animais não estiverem acostumados a ingerir a planta, evitar que sejam consumidas em grandes quantidades e em curto período de tempo. No caso de bovinos é recomendado que os animais ingiram pequenas quantidades, que são aumentadas gradativamente ao longo do tempo.

Bibliografia:

MELO. Cad. Téc. Esc. Vet. UFMG, n.24, 1998.

PEREIRA, C. A. Plantas Tóxicas e Intoxicações na Veterinária. UFG: Goiânia. 1992. 279 p.

RIET-CORREA, F., MÉNDEZ, M.D.C., SCHILD, A.L. Intoxicações por Plantas e Micotoxicoses em Animais Domésticos. Ed. Hemisfério Sul do Brasil. Pelotas. 1993.340p.

Links:

www.cnpgc.embrapa.br/tecnologias/quersabermais/500p/p450.html

www.emater.mg.gov.br/ematerhp/revista/out97/sumario8.html

www.nti.ufpb.br/ceatox/page4.html

http://cit.rs.gov.br/plantas.htm