SORGO
 
ENCICLOPÉDIA

Planta da família Gramineae, com duas espécies de importância tóxica.

Nome científico

Nome comum

Sorghum halepense (L.) Pers

Sorgo, capim Massambará, Pasto Russo ou Erva de São João

Sorghum vulgare

sorgo

 

Importância e princípio tóxico: planta cianogênica, que possui glicosídeo cianogênico como princípio ativo principal, que se torna tóxico ao entrar em contato com enzima específica, presente no trato digestivo, que o hidroliza produzindo desta forma ácido cianídrico, glicose e benzaldeído. Os efeitos tóxicos, se devem por sua vez, ao íon cianeto, proveniente do ácido cianídrico, que atua inibindo a enzima citocromo oxidase, desta forma impedindo que as células recebam oxigênio das hemácias.

Distribuição: cultivado em várias regiões do Brasil, para o uso na alimentação animal.

Descrição botânica:

Sorghum halepense: gramínea perene, com altura entre 0,60 e 3,0 metros, com rizomas rugosos ou escamosos ou talos subterrâneos. Os talos portadores de flores são eretos, finos, de cor verde claro, apresentando com freqüência manchas roxas ou pardas. As folhas são longas e estreitas, com proeminente nervura central. As flores se reúnem em inflorescência em panícula terminal; as sementes são pequenas.

Sorghum vulgare:

Gramínea de grande porte e origem asiática, com altura entre 0,6 a 4,5 metros, com talos eretos com 7 a 8 nós. As folhas nascem uma em cada nó, são longas e estreitas, com margem denticulada, de nervura central proeminente; suas flores se reúnem em panícula terminal.

Partes tóxicas: folhas e brotos.

Animais sensíveis à intoxicação:

Em condições naturais principalmente bovinos, e nas experimentais, os ruminantes, eqüinos, galinhas, coelhos e cobaios.

Algumas observações quanto a toxidade das plantas cianogênicas:

- o conteúdo de glicosídeo cianogênico aumenta com a adubação nitrogenada, e também pelo uso de herbicidas 2,4 D; 2,4,5 T e MPC.

- a ação de geada, granizo, murcha ou pisoteio, aumentam o conteúdo de ácido cianídrico (HCN);

- as plantas cianogênicas, muito jovens, de crescimento rápido ou verde escuro, contém maiores quantidades de glicosídeo cianogênico;

- boa parte do HCN se volatiliza, quando a planta é cortada e colocada para secar lentamente;

- a dose letal pode variar também em função da rapidez com que a planta é ingerida, pelo fato do pricípio tóxico ser de fácil absorção e eliminação; da tolerância do animal ao princípio tóxico, adquirida através da ingestão de pequenas quantidades do mesmo, o que torna necessário a ingestão de doses maiores para que ocorra a intoxicação;

- idade da planta; pH gástrico; espécie animal.

Intoxicação aguda

Para animais sensíveis, que tenham ingerido plantas com grandes quantidades de princípio ativo

Sintomas: 3 a 5 minutos após ingestão;

Evolução: 2 a 3 minutos

Grandes doses do princípio ativo

Sintomas: aproximadamente 15 minutos após a ingestão da planta;

Evolução: de 15 a 120 minutos

Intoxicação crônica

ingestão da planta em quantidades normais  por período prolongado (suplementação durante a seca).

Sintomas para plantas cianogênicas, de um modo geral:

-anóxia cerebral;

-bócio hiperplástico em ovelhas que ingerem quantidades normais de plantas cianogênicas, e por um período prolongado; podem também nestas condições, desenvolver hipotireoidismo.

Profilaxia - recomendações para as plantas cianogênicas de um modo geral:

- no período de rebrota, retirar o gado do pasto.

- quando os animais não estiverem acostumados a ingerir a planta, evitar que sejam consumidas em grandes quantidades e em curto período de tempo. No caso de bovinos é recomendado que os animais ingiram pequenas quantidades, que são aumentadas gradativamente ao longo do tempo.

Bibliografia:

MELO. Cad. Téc. Esc. Vet. UFMG, n.24, 1998.

PEREIRA, C. A. Plantas Tóxicas e Intoxicações na Veterinária. UFG: Goiânia. 1992. 279 p.

RIET-CORREA, F., MÉNDEZ, M.D.C., SCHILD, A.L. Intoxicações por Plantas e Micotoxicoses em Animais Domésticos. Ed. Hemisfério Sul do Brasil. Pelotas. 1993.340p.

Links:

www.cnpgc.embrapa.br/tecnologias/quersabermais/500p/p450.html

www.emater.mg.gov.br/ematerhp/revista/out97/sumario8.html

www.nti.ufpb.br/ceatox/page4.html

http://cit.rs.gov.br/plantas.htm