DAMA-DA-NOITE
 
ENCICLOPÉDIA

Cestrum sp.

O gênero Cestrum possui cerca de 250 espécies distribuídas nas áreas tropicais e subtropicais, particularmente das Américas. Planta pertencente à família Solanaceae.

Importância: são plantas tóxicas, que normalmente ocorrem em áreas de pastagens, ou também cultivadas como ornamentais, por exemplo, o Cestrum nocturnum (dama da noite).

Distribuição geográfica: são encontradas nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Guanabara, Goiás (menos na região norte), São Paulo e Ceará.

Espécies mais importantes:

Nomes Científicos
Nomes Comuns
Habitat
Cestrum laevigatum Schlechtd ou Cestrum axillare Vell (é a mais importante) coerana; anilão; dama da noite; coerana brava; fruta de pombo; pimenteira; maria preta; coerana branca vegeta em lugares úmidos, como margens de córregos, rios baixadas, orlas de matas e capoeiras (geralmente litorâneas), campos sujos
Cestrum parqui L'Herit coerana sem informação
Cestrum calycinum Willd coerana verde; anilão; coerana em capoeiras
Cestrum cotymbosum Schlechtd coerana amarela; coerana do brejo em brejos
Cestrum nocturnum, L. dama da noite; jasmim verde cultivada como planta ornamental em jardins, utilizada também revestindo cercas e caramanchões

Descrição botânica:

- Cestrum axillare:

Arbusto com altura entre 2 e 3,5 m, de folhas alternas, oblongo lanceoladas ou elípticas, glabra, de base aguda. Inflorescências axilares e terminais, flores sésseis, aglomeradas, amareladas ou esbranquiçadas, caliciformes. Frutos sob forma de bagas ovóides, pretos quando maduros. As folhas ao serem esmagadas desprendem cheiro desagradável e os frutos esmagados tingem de roxo os dedos.

- Cestrum calycinum:

Arbusto com mais de 1 m de altura, ramos cilíndricos mais ou menos delgados. As folhas são curto-pecioladas, oval-oblongas ou oval elípticas, coriáceo-membranáceas. Inflorescências geralmente axilares, flores sésseis, pequenas, amarelo-esverdeadas. Cálices mais ou menos tubuloso. Frutos elipsóides ou oblongos, com cerca de 1 cm de comprimento. Floresce de maio a julho. Os frutos quando esmagados não mancham os dedos.

- Cestrum corymbosum:

Flores em corimbos terminais reclinados, de coloração em tom alaranjado.

- Cestrum nocturnum:

Arbusto ou árvore pequena podendo atingir até 4 metros de altura. Os ramos são sinuosos, pendentes, folhas de pecíolos longos. Inflorescências terminais ou axilares, flores sésseis, pequenas, cálice campanulado, corola verde clara (esverdeada), com aroma agradável. Floresce de dezembro a janeiro.

Animais sensíveis a intoxicação:

- Em condições naturais: bovinos; é inócua para eqüinos, suínos, coelhos, cobaios e aves.

- Em condições experimentais: bovinos, ovinos e caprinos.

Condições que favorecem a ocorrência da intoxicação:

- fome (escassez de forragem)

- época da seca (escassez de forragem)

- após roçadas e queimadas, que favorecem a brotação das plantas. Se houver escassez de forragem, os animais ingerem a rebrota.

Partes tóxicas:

Cestrum axillare: folhas e brotos.

Cestrum parqui: folhas e frutos.

Cestrum calycinum: folhas.

Cestrum corymbosum: sem informações.

Cestrum nocturnum: sem informações.

Princípio ativo: glicosídeo do grupo das saponinas. A concentração desse princípio é maior nos frutos imaturos e folhas, variando sua intensidade sob a influência de determinados fatores, como estágio vegetativo da planta, fase de brotação, frutificação, etc.

Sintomas da intoxicação: Muitas vezes os bovinos já são encontrados mortos nos pastos. Os sintomas podem aparecer algumas horas após a administração (5 a 62 horas) ou mesmo levar dias (24 dias). Em geral a evolução é aguda, com morte do animal em torno de 24 horas, ou mesmo 72 horas. Nos casos crônicos, o curso varia de 2 a 7 dias.

Os primeiros sintomas são:

- apatia; tristeza; anorexia, paresia do rúmen; dorso arqueado, pêlos arrepiados; narinas secas, poliúria e tendência ao isolamento. Em geral esta fase é de 4 a 5 horas.

Os bovinos passam para uma segunda fase de aproximadamente 1 a 14 horas de duração, sendo que os sintomas são predominantemente nervosos: tremores musculares, excitação, agressividade, incoordenação de movimentos; midríase; olhos fundos opalescentes e vidrados; pescoço rijo, lombo arqueado, emagrecimento e enfraquecimento rápido; mucosas úmidas edemaciadas e ligeiramente amareladas, urina também levemente amarelada, sialorréia abundante (salivação); constipação, mucosa anal inflamada, dores intestinais que acentuam-se gradativamente e o animal range os dentes e geme. Taquicardia e por fim bradicardia com arritmia cardíaca e dispnéia; o pulso torna-se mais fraco; a respiração ruidosa e mais rápida; prostração; movimentos de pedalagem; hipotermia e morte com tremores muito acentuados.

A intoxicação por Cestrum nocturnum em geral se manifesta por náuseas, vômitos e um quadro neurológico caracterizado por agitação psicomotora, alucinações e distúrbios no comportamento, sendo comum também a midríase e secura de mucosas.

Diagnóstico:

É feito pelo conjunto de dados: anamnese, sintomas, necrópsia e exame laboratorial.

1) Anamnese:

- presença da planta na pastagem e na relação da quantidade da planta pastejada e o número de animais afetados;

- espécies afetadas: ruminantes (bovinos);

- presença de montanhas e furnas com morcegos hematófagos;

Observação: a presença de animais intoxicados por Coerana em uma propriedade não exclui a de bovinos com raiva (até no mesmo animal).

2) Curso normal:

- raiva 7 a 10 dias;

- coerana: 4 a 24 horas.

3) Exame laboratorial:

- raiva: histopatologia do cérebro.

- coerana: bioquímica do soro, uranálise, hemograma.

4) Necropsia:

- raiva: ausência de alterações patognomônicas.

- coerana: fígado de "noz moscada", ressecamento do conteúdo do omaso.

Profilaxia:

- a planta deve ser arrancada com enxadão quando ainda pequena;

- a planta deve ser cortada e ter seu tronco pincelado com herbicida apropriado.

As partes cortadas das plantas devem ser queimadas, pois mesmo secas são tóxicas.

Bibliografia:

MELO. Cad. Téc. Esc. Vet. UFMG, n.24, 1998.

PEREIRA, C. A. Plantas Tóxicas e Intoxicações na Veterinária. UFG: Goiânia. 1992. 279 p.

RIET-CORREA, F., MÉNDEZ, M.D.C., SCHILD, A.L. Intoxicações por Plantas e Micotoxicoses em Animais Domésticos. Ed. Hemisfério Sul do Brasil. Pelotas. 1993.340p.

Links:

www.cnpgc.embrapa.br/tecnologias/quersabermais/500p/p450.html

www.emater.mg.gov.br/ematerhp/revista/out97/sumario8.html

www.nti.ufpb.br/ceatox/page4.html

http://cit.rs.gov.br/plantas.htm