COUVE-FLOR
 
ENCICLOPÉDIA

*Nome científico: Brassica oleracea var. botrytis
Família: Brassicaceae
Origem: Região Mediterrânea
Características da planta: planta bienal, que apresenta um caule curto e folhas acentuadamente elípticas e alongadas. O produto comercial é uma inflorescência imatura, que se desenvolve sobre o caule, constituindo uma "cabeça" de coloração branca ou creme.
Características da flor: flores pequenas, de coloração amarelada, com as pétalas em formato de cruz, o que caracteriza a família botânica.

*fonte: Flores do Alimento - Silvestre Silva - Empresa das Artes - 1997

Introdução:

A couve-flor é uma hortaliça plantada em várias partes do mundo, sendo que no Brasil é mais cultivada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. No Estado de São Paulo, as principais regiões produtoras se situam em locais de clima mais ameno, principalmente alguns municípios da DIRA de Sorocaba e Campinas, situados em zonas serranas. Atualmente, devido à existência de cultivares adaptados às condições mais quentes do ano, pode-se produzir essa hortaliça durante o ano todo.

Clima e solo:

A couve-flor é uma planta exigente em relação às condições climáticas, sendo que primitivamente os cultivares disponíveis somente se adaptam às condições amenas e de inverno. Através do melhoramento genético, conseguiu-se obter cultivares que apresentam condições de produção adequada em climas mais quentes; entretanto, deverão ser utilizados somente sob essas condições.
A couve-flor é exigente em termos de condições edáfica, preferindo solos areno-argilosos, com bom teor de matéria orgânica , boa disponibilidade de macro e micronutrientes, principalmente, e com o pH variando de 6,0 a 6,8.

Cultivares:

Como foi dito anteriormente, dispõe-se hoje de um grande número de cultivares que podem ser reunidos em dois grupos:

cultivares de inverno: Teresópolis, Teresópolis Precoce, Campinas, Bola de neve etc. ;

cultivares de verão: Piracicaba Precoce, Santa Eliza N.o 1 e 2 , Hídrico Jaraguá, Híbrido Shiromaru, Híbrido Shiromaru, Híbrido Miyai etc.

Preparo do solo:

Com uma antecedência de três meses do plantio, se faz uma aração profunda para incorporação dos restos da cultura anterior e da metade da quantidade de calcário recomendada para a calagem. Após essa aração se faz uma gradagem para incorporação da segunda metade do calcário. Cerca de 15 dias antes do plantio se faz uma segunda gradagem, estando após essa operação o terreno em condições de receber os sulcos para o transplante das mudas.

Calagem e adubação:

Deve-se aplicar calcário para elevar a saturação de bases (V%) a 70%, sempre que a análise do solo indicar teor abaixo de 60%. Para a adubação orgânica recomenda-se aplicar de 1,5 a 2,5kg por planta de esterco de curral curtido, sendo que as quantidades maiores devem ser aplicadas em solos mais arenosos. Poderá ser usado outro adubo orgânico, respeitando-se a relação entre esse adubo e o esterco de curral.

Para a adubação mineral recomenda-se:

no plantio, de acordo com os teores de nutrientes indicados pela análise do solo, seguir a tabela abaixo, segundo Boletim Técnico N.o 100, do IAC.

P resina
--
K trocável - meq/100cm3
--
ug / cm3
0-0,15
0, 16-0,60
>0,60
--
--
NP2O5 - K2O - g/planta
--
0-15
2-30-15
2-30-12
2-30-8
16-80
2-20-15
2-20-12
2-20-8
>80
2-10-15
2-10-12
2-10-8

O adubo mineral deve ser aplicado em mistura com adubo orgânico, acrescido de 3g/planta de bórax, visando-se, com isso, uma prevenção de aparecimento da deficiência causada pelo micronutriente.
em cobertura: aplicar 12g/planta de N. efetuando-se um parcelamento em quatro ocasiões aos 15, 30, 45 e 60 dias após o transplante das mudas.
adubação foliar: aplicar molibdênio em pulverização, quinze dias após o transplante das mudas, utilizando-se uma solução de molibdato de sódio a 0,5%.

Plantio:

Na produção comercial, deve-se proceder primeiramente à formação de proceder primeiramente à formação de mudas, sendo para tanto confeccionadas sementeiras, através da construção de canteiros de semeadura, com largura aproximada de 1,0m e comprimento variável. Procede-se a semeadura em sulcos com 0,01m de profundidade e distanciados 0,10m, gastando-se cerca de 2 a 3g de sementes por metro quadrado de canteiro.
O transplante das mudas é feito quando as mesmas atingirem 0,10 a 0,15m de altura e possuírem 4 a 5 folhas.
As mudas são plantadas em sulcos previamente abertos, no espaçamento de 1,00 x 0,50m a 0,80 x 0,50m, para os cultivares de maior desenvolvimento, como Teresópolis e Campinas, e de 0,80 x 0,40 metros para os cultivares de desenvolvimento menor, como Piracicaba Precoce e Santa Eliza.
A época do plantio para os cultivares de inverno é de março a junho, e para os cultivares de verão é de setembro a janeiro.

Tratos culturais:

Deve-se efetuar as adubações em cobertura recomendadas no item " Calagem e Adubação".
Deve-se também efetuar as irrigações necessárias e providenciar a eliminação do mato que por acaso se desenvolva junto com a cultura.

Colheita:

A colheita é feita quando as "cabeças" das plantas, ou seja, sua inflorescência se apresentarem bem desenvolvidas, compactas e sem manchas. Quando "passar" do ponto de colheita, a "cabeça" se apresenta dividida e perde o valor comercial. A colheita é realizada através do corte das "cabeças" juntamente com algumas folhas para proteção do produto.
O início da colheita depende do cultivar e varia entre 70 e 100 dias após a semeadura.

Benefício e armazenamento:

As "cabeças" colhidas são colocadas em engradados ou caixas grandes e posteriormente transportadas para um galpão onde serão classificadas em tamanho e posteriormente embaladas.
As embalagens utilizadas são as mais diversas, desde sacos telados até cestos, jacás e caixas de madeira.
Nas embalagens, as "cabeças" permanecem com as folhas, de modo a conferirem certa proteção ao produto.
O armazenamento deve ser feito por pouco tempo e em locais frescos.

Comercialização:

A comercialização normalmente é feita junto às Centrais de Abastecimento, com o produtor levando o seu produto até esse local. Entretanto, em várias regiões existe o intermediário que coleta o produto na roça, de vários produtores, e se encarrega de entregá-lo junto à central de abastecimento.
O produtor pode também comercializar a sua produção diretamente com os supermercados ou a rede varejista, desde que disponha de meios para fazê-lo.