ELEFANTE (Nápier)
 
ENCICLOPÉDIA

Também chamado capim napier (nome de uma de suas variedades), uma gramínea perene, cespitosa, natural da África, que foi introduzida no Brasil por volta de 1920, onde apresentou excelente adaptação. É rústica, possui rizomas curtos e grossos, e crescendo livremente atinge 3 metros ou até mais de altura. Apresenta relativa resistência á seca, frio e fogo, porém fica crestado com geadas, rebrotando com vigor na primavera. É exigente em fertilidade e vegetação bem desde solos enxutos até um pouco úmidos. As variedades indicadas são aquelas que apresentam baixo percentual de florescimento, tardio, ausência de toçal e sejam macias, tenras . Assim sendo, recomenda-se as seguintes variedades: Cameroum, Vrukwona, Mineiro, Napier, Porto Rico e Taiwan (A 144 e A 148). Em 1908, Napier divulgou uma variedade, que mais tarde recebeu seu nome, cujos talos eram bastante moles e as folhas mais largas, que foi muito bem aceita pelos pecuaristas, a ponto de chamarem essa espécie forrageira (seja qual for a variedade) pelo nome vulgar de capim napier. Testes realizados com silagens das variedades desse capim, revelaram maiores valores de N.D.T. e digestibilidade da matéria seca, para a Mineiro e Vrukwona. O capim elefante deve ser plantado durante a estação chuvosa , a partir das primeiras e boas chuvas da primavera, até o mês de fevereiro, quando ainda há grande concentração de chuvas. Como produz sementes em taxa reduzidíssima (praticamente nula), sua multiplicação se dá  exclusivamente por meio de mudas (colmos), que após a retirada dos "palmitos" (pontas) são deitadas em sulcos abertos no terreno. As melhores mudas são aquelas que possuem mais de 100 dias de idade (maduras), pois, brotam em quantidade bem superior, garantindo um bom stand da cultura. Essas mudas suportam viagens de 5 a 20 dias, desde que mantidas constantemente à sombra. A quantidade de mudas necessárias, bem como a distância entre os sulcos de plantio, dependerão das disponibilidades de mudas, mão-de-obra e recursos financeiros do proprietário. Normalmente, planta-se em sulcos de 15 cm de profundidade, espaçados 50 cm uns dos outros, gastando-se, em média , 2-4 toneladas de mudas para formar um hectare. Resultados muito bons também são conseguidos quando a distância entre sulcos são de 0,70 e até 1,0 metro. Trata-se de um capim que apresenta excelentes rendimentos por unidade de área, com alto valor nutritivo e boa palatabilidade, razão pela qual tem sido uma das forrageiras mais utilizadas nas explorações leiteiras do Brasil Central.
A análise bromotológica de diversas formas de capim elefante, revelou os seguintes resultados:

-

Parte aérea fresca (1)

Elementos

29 a 42 dias de crescimento

43 a 56 dias de crescimento

Silagem (2)
Feno, antes floração (2)
-

Mat. verde

Mat. seca

Mat. verde

Mat. seca

-

(%)

(%)

(%)

(%)

(%)

(%)

Matéria seca

18,0

100,0

16,5

100,0

21,9

88,4

Cinza

2,4

13,0

2,5

15,0

_

_

Fibra bruta

5,3

29,3

5,4

32,7

9,9

28,2

Extrato etéreo

0,6

3,6

0,5

3,3

0,6

1,8

Proteína bruta

1,8

10,2

1,5

9,0

1,0

12,8

Extrat. não nitrog.

7,9

43,5

6,6

40,0

7,9

41,2

Nutr. dig. totais

6,1

33,8

6,3

38,4

9,8

48,2

Cálcio

0,06

0,34

0,05

0,27

0,06

0,33

Fósforo

0,08

0,45

0,06

0,38

0,04

0,25

O capim elefante pode ser utilizado como pastagem, quando ainda novo, constituindo-se em uma das gramíneas mais ricas em proteína, proporcionando excelentes respostas em produção de leite e carne, ou como capineira, com altura um pouco maior, para fornecimento de verde fresco picado ou elaboração de silagem e feno. Com relação  as pastagens, recomenda-se a divisão da  área em parcelas de, no máximo, 5 hectares cada uma e manejá-las em sistema de rodízio (melhores resultados ), ocupando-as por 3 a 7 dias e deixando-as descansar por 35 a 45 dias. Em outras palavras, os animais deverão entrar no pasto quando o capim estiver com 60-80 cm de altura e sair quando rebaixado a 30-40 cm. Esse manejo alto impede o desenvolvimento de plantas invasoras e favorece uma boa rebrota, garantindo a manutenção do stand. ,Uma boa pastagem de capim elefante, suporta facilmente 3 - 4 U.A./ha durante a estação das  águas. Já  no "período da seca", o crescimento‚ paralisado, reduz o teor protêico e a capacidade de suporte cai consideravelmente. Testando a qualidade de uma pastagem de capim elefante. Lucci (1972) demonstrou que a mesma, sob taxa de lotação de 3,6 vacas/ha, forneceu nutrientes necessários para manutenção e produção de 11,6 quilos de leite/dia (4% de gordura), de uma vaca com 400 quilos de peso vivo. Por outro lado, as capineiras devem ser cortadas quando apresentarem 1,30 - 1,50 metros de altura, a 15-20 cm do solo, proporcionando 20-25 toneladas de massa verde/ha/corte. Não são aconselhados cortes com alturas bem superiores a 1,50 metros, pois apesar de aumentar o rendimento de massa verde por unidade de  área, seu valor nutritivo ser  bem inferior e o teor de fibra consideravelmente elevado, a ponto de ser rejeitado pelos animais. Também não se aconselha corta-lo rente ao solo, uma vez que prejudica a rebrota futura e o capim tende a desaparecer. Normalmente se faz 3-4 cortes/ano, o que equivale dizer , que uma capineira de capim elefante em bom estado, pode produzir 75-100 toneladas de massa verde/ha/ano . Alguns autores citam como produção em ‚dia, de 80-120 toneladas de massa verde/ha/ano, em 4-5 cortes. Ressalta-se que há registros de produções de 160 toneladas/ha/ano (5 cortes) em várias regiões do Brasil e até superior em vários outros países. No Instituto de Zootecnia, de Nova Odessa - SP, a variedade Mineiro produziu (média de 2 anos) 20 toneladas de matéria seca/ha/ano. Nos casos em que o proprietário não possui uma  área dessa forrageira, especifica para corte (capineira), e prevê grande falta de alimento para os meses seguintes, recomenda-se vedar (impedir a entrada de animais) em fevereiro, o pasto de capim elefante existente (quando possuir apenas um) ou 30% da  área total (quando possuir vários) , para ser cortado em março - abril e novamente em maio - julho, a uma altura de 1,00-1,20 metros de altura, proporcionando cerca de 15-18 toneladas/ha/corte. É interessante observar, que enquanto um pasto de capim elefante fornece nutrientes para manutenção e produção, uma capineira fornece apenas para manutenção as vezes nem para a mesma‚ suficiente. Para efeito de planejamento, considera-se que 1ha de capineira de elefante; com produção estimada de 20 toneladas/ha/corte, proporciona volume suficiente para manter 10 vacas, fornecendo 20 quilos/vaca/dia. Se houver silagem, essa proporção se eleva para 1:50. No que se refere   fertilização, sabe - se que esse capim responde muito bem as adubações nitrogenadas (ver capítulo específico) e orgânicas (em capineiras)   base de 30-40 toneladas de esterco por hectare. Finalizando, vale a pena ressaltar a grande suscetibilidade do capim elefante ao ataque das cigarrinhas das pastagens, que em muitos casos tem provocado sérios prejuízos (ver livro Pastagens e Forrageiras).