URUCUM
 
ENCICLOPÉDIA

*Nome científico
Bixa orellana L.

Família
Bixaceae

Origem
América Tropical

Características da planta
Arbusto com altura de 2,10 a 4,00 m, que possui folhas cordiformes, pontuadas e dentadas. Os frutos são cápsulas ovóides, com dois carpelos cobertos por espinhos flexíveis, contendo cada um de 30 a 40 sementes. Uma polpa mole, tenaz e vermelha rodeia as sementes e é essa polpa que, depois de lavada, forma uma substância chamada urucum, motivo principal da exploração da planta.

Características da flor
Flores grandes, hermafroditas, de coloração rósea, que ficam reunidas na extremidade dos galhos formando fascículos.

*fonte: Flores do Alimento - Silvestre Silva - Empresa das Artes - 1997

Nomes Populares

Urucú, urucum, açafroa, açafroa-da-Bahia, açafroa-do-Brasil, açafroeira-da-terra, açafroa indígena.
No Peru, Colômbia e Cuba é atolé, achiote, bija.
Na Venezuela é achiote, bija e onoto.
No México achiote.
No Paraguai urukú e nas Guianas rocou e recoyer.

Hábito

Arboreta, arbusto ou árvore pequena que cresce, aproximadamente, até 5 metros.

Ocorrência geográfica

Segundo J. Morton é nativa desde o México ao Equador, Brasil e Bolívia. Largamente cultivada em regiões tropicais do mundo como corante.

Parte empregada

Semente, raiz e folhas.

Propriedades terapêuticas

Etomáquico; digestivo; laxativo; afrodisíaco - é o pé das sementes (Wakaka de certos indígenas); antídoto do ácido cianídrico (ac. prussiano); refrigerante; febrífugo; expectorante; diurético; emoliente.

Cultivo

O urucum é de fácil adaptação, propagando-se por estaquia e sementes. Vegeta em quase todo o território nacional, não sendo exigente quanto ao solo, mas para produção econômica deve ser cultivado em solos férteis com boas características físicas.

Composição Química

Semente: Vitamina C 0,05%, Proteína 6,61%, Açúcares totais 10,24%, Ferro 0,08%, Óleo essencial 0,05%, Resina 1,65%, Tanino pequena quantidade. Outros trabalhos relatam que o Fruto contém proteínas, beta-caroteno e outros carotenóides, os mais abundantes são: Bixina (cor amarela) e a Norbixina (cor vermelha). (Angelucci et all 1980; Tirimana.1981).
Folhas: Flavonóides
Derivado sesquiterpênico, o ishwarane ou bixhaghene (Harbone, 1975: Lawarence e Hogg, 1973).
Cianidina e ácido elágico.
Carotenóides - ácido tomentósico
Flavanóides - apigenina, luteolina e 8-bissulfato de hipolactina
Vitamina A - 1000 a 2000 Ul/gr.
Polpa do Fruto:
Matéria Corante - Bixina e beta-bixina - 4 a 5,5% (pigmentos carotenóides isômeros)
Óleo essencial - 0,25 a 0,85%
Lipídeos - 2,2 a 3,5%
Saponina, tanino e traços de alcalóides

Toxidade

Estudos com a casca da semente de B. orellana demonstraram efeitos tóxicos no pâncreas e fígado, acompanhado de hiperglicemia e uma aparente tendência no aumento dos níveis de insulina (Morrison e West, 1985; Morrison e cole, 1987).
Em doses de 500mg a 1000mg/kg nas vias intraperitoneal em ratos, o urucum (B. orellana) provoca uma diminuição da atividade matora e um aumento da diuresis, sem nenhum sinal de toxicidade aparente.
A DL no rato, por via intraperitoneal é de 700mg/kg (Dunham e Allard, 1960).

Como Usar
Dr. Celerino Carriconde

Asma, bronquite, tosse, coqueluche
Infusão. 2,5 gramas de sementes em 200 ml d'água fervendo. Tomar 3 xícaras ao dias. (b)

Dor-de-cabeça ou enxaqueca
Folha na cabeça. 2 folhas untadas com óleo canforado. Colocar na fronte quando sentir dor. (a)

Queimaduras
Banho-Maria. 30 gramas de sementes e 100 gramas de óleo de oliva. Ferver em banho-maria e aplicar fria sobre as feridas duas vezes ao dia. (c)

(a) Bandi, J.C.; P.M. na Venezuela e AL. Edit. Arnerica S.A., 1987
(b) Dias da Costa
(c) Algate, E.A.; Plantas Medicinais, 1987 - Colômbia.

fonte: Ervas e Saúde - Ano II - nº 3 - Editora Escala - Págs. 20 à 23 e 46.