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PATA
DE VACA
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As bauínias pertencem a família das leguminosas casalpináceas, mesma do pau-brasil. Espalham-se pela zona tropical do mundo inteiro. As espécies arbóreas são consideradas pioneiras tardias na escala de sucessão vegetal, pois têm crescimento moderadamente rápido. Elas atingem cerca de 3 metros em dois anos, e são adaptadas a áreas abertas, sob sol constante. A altura máxima em raros casos ultrapassa os 10 metros. Quase todas as espécies brasileiras são cheias de espinho e têm flores brancas. Entre elas, as mais comuns são a Bauhinia candicans, a mais florida e uma das mais espinhentas, é a Bauhinia forficata, com flores imaculadamente brancas e grande produção de sementes. Entre as exóticas, a que mais se cultiva no Brasil é a Bauhinia variegata, que apresenta flores brancas e rosas, dependendo da variedade. No inverno, ela perde as folhas, voltando a florescer na primavera, com grande beleza. Em geral, é maior que as espécies nativas, podendo passar dos dez metros. A altura exata que alcança raramente pode ser observada, pois nas cidades é constantemente podada. Uma das espécies mais bonitas e raras da pata-de-vaca é a Bauhinia blakeana, originária do Vietnã, cujas flores são de cor lilás. No Brasil, porém, não produz sementes e se reproduz por método de enraizamento. Outra espécie bastante ornamental e incomum é a Bauhinia galpinii, originária da África do Sul, um arbusto, com flores de cor rosa, que se espalha pelo campo. É muito difícil de cultivá-la no Brasil, embora seja encontrada em alguns jardins no Rio Grande do Sul. Provavelmente a bauínia mais curiosa é a escada-de-macaco ou cipó-florão (Bauhinia splendens e mais três espécies), trepadeira nativa cujo tronco lembra a forma de uma escada. Utilidade: A utilização mais evidente da pata-de-vaca é no paisagismo, principalmente para arborização de ruas. Cresce rapidamente, tem flores exuberantes e em grande quantidade, copa arredondada e estatura baixa, sendo ideal para ser plantada sob os fios elétricos. A mais usada para esse fim é a espécie introduzida Bauhinia variegata, apesar das nativas também possuírem grande potencial paisagístico e apresentarem espinhos, uma proteção natural. As folhas da pata-de-vaca são utilizadas tradicionalmente no Brasil com fins curativos. A literatura especializada do começo do século relatava que os curandeiros do interior usavam o cozimento dessas folhas em formas de chá e banhos para curar lepra, furúnculos e picadas de cobra. Na medicina popular, são largamente utilizadas em casos de diabete. Pesquisas farmacológicas comprovaram que a Bauhinia forficata possuía a propriedade de diminuir a taxa de glicose no sangue. As folhas são colhidas antes da floração e secas ao sol. As farmácias de produtos naturais vendem as folhas prontas para fazer o chá e em forma de essência. A pata-de-vaca brasileira também pode ser utilizada em cerca vivas por ser espinhenta. Com folhas riquíssimas em proteínas e hidratos de carbono, pode ser usada como forrageira. Também é recomendada para reflorestamento de áreas degradas, pois é uma pioneira de crescimento rápido. Como produz muito pólen, é recomendada para áreas onde se criam abelhas. A escada-de-macaco, variedade trepadeira de bauínia, é usada como madeira decorativa. Apesar do pequeno diâmetro, o tronco das plantas velhas tem grande durabilidade e os cortes transversais revelam bonitos desenhos. No começo do século, mesas, bandejas, caixas e outros utensílios decorados com cipó-florão eram considerados artigos de luxo. Plantio: As espécies arbóreas nativas da pata-de-vaca florescem durante a primavera e o verão (a B. forficata no final do verão). Os frutos, em forma de vagens, ficam maduros entre julho e agosto, quando começam a abrir de forma explosiva, espalhando sementes para todos os lados. As sementes devem ser colhidas neste momento e plantadas logo em seguida em saquinhos individuais ou em canteiros semi-sombreados contendo substrato organo-arenoso (material orgânico e areia). Rega-se duas vezes ao dia. Em cerca de 15 dias, as sementes começaram a germinar. A taxa de germinação é alta, de 30 a 50%. Caso se quebre a dureza da semente antes de plantá-la, com um banho de ácido sulfúrico concentrado ou imersão em água quente a 80 graus celsius, a germinação ode alcançar 80%. O desenvolvimento das mudas é rápido: estão prontas para o plantio definitivo em 5 meses. Aos 2 anos, as árvores florescem e frutificam pela primeira vez. No caso de espécies exóticas que não produzem sementes no Brasil, a reprodução ocorre por alporquia, método semelhante ao da estaquia, no qual o enraizamento dos ramos é feito sem tirá-los da planta. Fonte: Globo Rural |
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