LICHIA
 
ENCICLOPÉDIA

( LITCHI CHINESIS SONN.) FAMÍLIA SAPINDACEAE

A lichia geralmente tem o tamanho de um limão galego, mas, na China, alguns medem 35 a 40 milímetros de comprimento. Pelo aspecto, assemelha-se a um morango. A casca, coriácea, áspera, quebradiça, avermelhada, passa a castanho-escuro quando está maduro. A polpa ou arilo é translúcida, sucosa, algo semelhante à jabuticaba, deliciosa. O sabor lembra da uva moscatel. Algumas variedades produzem, de flores não fecundadas, frutas cujas sementes são pequenas, enrugadas e sem poder germinativo. Noutras variedades, cujas flores são fecundadas, as frutas têm sementes grandes, escuras e germinam bem durante alguns dias. Perdem depressa o poder germinativo. As lichias, no Brasil, as pouquíssimas que temos, são deliciosas, tão boas quanto as de Cantão e Pequim, e consumidas em natureza. Na Índia, ocorre o mesmo. Mas na China também as comem secas, sob a forma de passa, e em compota. São saboresíssimas as compotas e as passas de lichia. As lichias secas ao Sol são mais perfumadas e saborosas do que as secas ao fogo. Cantão exporta grande quantidade de lichias frescas, em natureza, bem como secas e em compota. Guardadas em geladeiras, as lichias duram mais semanas. Resistem a longos transportes.
Conforme Popenoe, a composição química média das lichias colhidas em Havaí é a seguinte: sólidos, 20,92%; cinzas, 0,54%; ácidos, 1,16%; açúcares, 15,3%.

Variedades: No sudeste asiático, quente e úmido, há muitas variedades, algumas quase desprovidas de sementes. No Brasil, principiamos e muito lentamente. Pouco, quase nada se sabe a respeito. Há, porém, lichias com sementes grandes e outras quase sem sementes.

Climas:
A lichieira encontra sua ecologia de predileção nos climas tropical e subtropical úmidos. Teme as geadas e os verões secos. Os verões secos e as geadas são fatores limitantes –informa W.B.Hayes em Fruit Growing in Índia. Algumas variedades resistem a geadas não muito fortes. Se a pluviosidade é pequena e mal distribuída, a irrigação é indispensável. O ideal é uma pluvisidade igual ou superior a 1.500 milímetros mais ou menos bem distribuída. Acomoda-se a uma pluviosidade igual a 1.500 milímetros.

Solos:
Os solos sílico-argilosos e argilo-silicosos, férteis, profundos, são ótimos para a lichieira. Prefere os solos ácidos. Não lhe convêm os solos calcários.

Multiplicação:
A multiplicação pode ser sexuada e assexuada ou agâmica. No Brasil, em regra a lichieira é multiplicada por meio de sementes, embora este processo, muito prático e barato, tenha dois defeitos: a) não transmite integralmente as qualidades da árvore mãe; b) as mudas custam a frutificar, cerca de 10 a 15 anos. Na China e na Índia, só se usa uma multiplicação sexuada para produzir porta-enxertos. A lichieiras se multiplica por mergulhia, alporquia e enxertia. A mergulhia, embora lenta e custosa, é o processo mais usado na China e na Índia. A alporquia tem os mesmos defeitos, talvez agravados. Ambos os métodos, porém, produzem plantas idênticas à árvore-mãe e que frutificam com uns três a seis anos. Tem, em compensação negativa, um sistema radicular relativamente pouco desenvolvido e vivem menos do que os pés-francos. Na enxertia, usam-se como cavalos pés-francos de lechieira. Enxerta-se por borbulhia e garfagem. A pega não é fácil.

Plantio:
Se possível, ara-se e gradeia-se todo o terreno e faz-se uma adubação verde. Abrem-se covas de 50 centímetros de comprimento, largura e profundidade, com o espaçamento de 10 x 10 metros. Convém adubar cada cova com 20 litros de estrume de curral ou composto, misturado com 200g de nitrocálcio-petrobrás ou sulfato de amônio, 300g de farinha de ossos, 200g de superfosforo e 150g de cloreto de potássio. Plantam-se as mudas em dias úmido, no início da estação chuvosa.

Tratos culturais:
Fazem-se as carpas indispensáveis, de preferência com a grade de discos ou o cultivador.

Culturais consorciados:
São possíveis e aconselháveis nos primeiros anos, desde que não abafem as fruteirinhas. Preferem-se as leguminosas de curto ciclo vegetativo.

Podas:
Não há podas de formação. Podem fazer-se podas de limpeza, retirando-se galhos secos ou doentes, galhos maus colocados e ladrões.

Adubações:
A lechieira precisa ser adubada para frutificar regular e fartamente. Reage muito as adubações.

Colheita:
A colheita é fácil e pode ser farta se a ecologia for favorável e se as lechieiras, descendentes de árvores muito frutíferas, forem convenientemente tratadas. Tendo florado em agosto-setembro, o que ocorre no planalto paulista, a colheita se realiza em dezembro-janeiro. A safra varia bastante de um ano para outro.