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*Nome científico:
Theobroma cacao L.
Família: Sterculiaceae
Origem: Brasil
- Região Amazônica
Características da planta: árvore que pode alcançar
de 5 a 7 m de altura média. Os ramos apresentam dimorfismo, podendo
apresentar crescimento vertical (tronco e ramos "chupões")
ou crescimento oblíquo (ramos laterais). As folhas também
apresentam esse dimorfismo correspondendo aos diferentes tipos de ramos
que lhes deram origem. O fruto é uma baga indeiscente que apresenta
um pericarpo carnoso e pode contar de 30 a 40 sementes, que estão
envoltas por uma polpa mucilaginosa.
Características da flor: as flores aparentemente originam-se
diretamente da casca; porém, na realidade, são formadas
a partir de inflorescências muito pequenas, originadas das folhas.
O termo "almofada floral" é comumente utilizado para
se referir ao local em que as inflorescências aparecem. Cada almofada
produz flores por muitos anos. Essas são pequenas (diâmetro
de 0,5 a 1 cm), com pétalas de formato característico, coloração
branca e apresentam interiormente duas linhas de coloração
violeta.
*fonte:
Flores do Alimento - Silvestre Silva - Empresa das Artes - 1997
Melhores
variedades:
cultivares híbridos e progênies de clones selecionados:
Época de plantio:
sementes em viveiros : setembro - maio; mudas no campo : o ano todo.
Espaçamento:
3 ,5 x 2 ,5m.
Mudas necessárias:
1.145/ hectare;
Combate
à erosão: plantio em nível. Nas encostas.
Adubação:
na cova: 20 litros de esterco de curral ou 2kg de esterco de galinha;
1.000g de calcário dolomítico; 500g de superfosfato simples e 50g de cloreto
de potássio.
Em cobertura: parcelada, no 1.º ano 100g de sulfato de amônio; 100g de
superfosfato simples; 50 de cloreto de potássio.Aumentar as doses nos
anos seguintes.
Tratos culturais:
capinas, desbrotas podas de formação e condução. As plantas novas necessitam
de proteção contra o sol e o vento. As culturas intercalares são indispensáveis
par atender a essas necessidades durante os primeiros anos de cultivo.
Combate à
moléstias e pragas: proteger as plantas, nos primeiros anos,
contra o ataque de formigas. Os insetos daninhos são facilmente controlados
com inseticidas fosforados. Pulverizar fungicidas cúpricos para controlar
a incidência de enfermidades.
Época de colheita:
praticamente o ano todo.
Produção normal:
1.500kg/ha de semente secas.
Observações:
cultura indicada para região de clima tropical. As sementes devem ser
plantadas logo após a abertura dos frutos, a 1cm de profundidade. As colheitas
iniciam após o 2º ano.
Cultivo
Clima: Árvore
originária de clima tropical, quente e úmido, com temperatura
média entre 21º e 28ºC, com chuvas bem distribuídas
durante todo o ano, sem longos períodos secos.
Solo: Prefere solos férteis, profundos, bem drenados e não
expostos ao vento sul.
Canais para o escoamento do excesso de águas pluviais são
abertos nas áreas de plantio. As mudas, criadas à parte
em sementeiras, entre o sexto e o oitavo mês são transplantadas
para o local definitivo. A proteção contra os ventos e um
bom sombreamento - fornecido por bananeiras ou por árvores de porte
maior que o cacaueiro - são de grande importância para o
sucesso do cultivo.
Para facilitar a colheita, costuma-se podá-lo quando passa de quatro
metros.
O cacaueiro pode viver mais de cem anos; aos três começa
a frutificar; a partir do oitavo ano produz abundantemente e geralmente,
até os trinta mantém uma produção satisfatória.
O Cultivo Perfeito
Além da indiscútivel
importância econômica, o cacau tem um grande valor ecológico.
Cultivado racionalmente, em condições semelhantes às
da floresta, seu "habitat" natural, com um sombreamento permanente
de árvores de maior porte, o cacaueiro protege o solo dos efeitos
da erosão. Sem prejudicar o ambiente ecológico existente,
suas plantações substituem a floresta original, preservando
a heterogeneidade. Sob este ponto de vista, o cacaueiro é muito
diferente de outros cultivos brasileiros que se transformaram em lavouras
itinerantes, deixando por onde passam grandes áreas de terras esgotadas
e improdutivas. O cacaueiro, embora mais exigente quanto às condições
de clima e solo, é uma árvore que devolve à terra
boa parte daquilo que dela retira.
Ao contrário das lavouras de cana-de-açúcar e café,
as de cacau não dão origem a paisagens contínuas
e homogêneas. As constantes quedas e renovação de
folhas durante o ano, proporcionam a formação de um verdadeiro
"tapete" constituído de matéria orgânica,
abrigando uma infinidade de micro flora e fauna.
Uso Medicinal
Na Colômbia
a infusão das folhas é usada como tônico cardíaco,
em outros lugares como diurético. Os índios Karijanas usam
as sementes torradas, fervidas no líquido que sai da mandioca (manipoera)
para tratamento de problemas do couro cabeludo (eczema). Os índios
mexicanos aplicam o óleo das sementes em feridas e na Venezuela
ele é usado nos casos de queimaduras, perebas, lábios rachados,
feridas nos seios e genitais e irritações retais.
Os índios da tribo San Blas, utilizam o cozimento da polpa do fruto
verde para ajudar no parto. O cozimento da entrecasca é usado para
tratamento de infecções da pele.
Na indústria farmacêutica, a manteiga de cacau é utilizada
como um dos melhores meios para confecção de óvulos
vaginais, supositórios e de produtos cosméticos. A indústria
química utiliza as sementes do cacau para a extração
de Teobromina, que tem ação vasodilatadora e diurética.
Uso Nutricional
A polpa de cor branca
que envolve as sementes é de sabor agridoce. É usada no
preparo de geléias, refrescos e sucos. Submetida à fermentação
produz o vinho de cacau, vinagre e álcool de boa qualidade. O capilé,
bebida produzida na região amazônica, é um xarope
caseiro muito agradável que, guardado em garrafas fechadas, pode
durar por muito tempo.
O chocolate comercial é obtido pela fermentação espontânea
das sementes livres da maior parte da polpa. É neste período
que se desenvolve o aroma e a cor. Depois são postos a secar e
torrados em temperatura inferior a 40ºC. O cacau seco é de
cor avermelhada pela oxidação de cacodonina, que é
um glicosídeo. O chocolate é produzido pela mistura de massa
de cacau com açúcar, leite ou nozes, a quantidade de açúcar
usado pode chegar a 50%.
O valor nutricional do chocolate depende dos ingredientes adicionados
à massa de cacau, em geral é um produto que fornece um elevado
percentual de calorias e gorduras. O pó de cacau contém
menor proporção de gorduras saturadas, sendo melhor consumir
o cacau que o chocolate.
Embora o chocolate seja um alimento altamente energético, deve
ser usado com precauções pelas pessoas que têm tendência
para azia, pois a presença de teobromina relaxa o esfinter do estômago,
permitindo a subida do ácido gástrico para o esôfago,
causando azia.
As lactantes, especialmente nos primeiros meses de vida o bebê,
teriam que diminuir a ingestão de chocolate, principalmente porque
leites adicionados no chocolate podem possuir proteínas prejudiciais
ao bebê. Alimentos como chocolate, ovos, peixes e nozes podem causar
crizes repentinas de asma.
Pessoas com síndrome de cólon irritável devem evitar
o consumo de chocolate - entre outros alimentos - pois ele aumenta a dor
intestinal. O chocolate, pela sua riqueza em arginina, pode desencadear
crise de herpes facial ou herpes zoster, e pelo seu conteúdo em
cafeína, é contra indicado na doença benigna fibrocística
de mama.
Em geral, o chocolate, por ser uma fonte de gordura saturada e calorias,
dever ser consumido com precaução por pessoas obesas, com
hipercolesterolemia (colesterol alto). Comer chocolate, de vez em quando,
é gostoso, dá energia. O que não se deve fazer, é
consumir permanente e em grande quantidade.
Para que os elementos de sua composição já estejam
totalmente elaborados, os frutos do cacaueiro são colhidos bem
maduros. Após a colheita, por dois ou três dias, os frutos
ficam em repouso. Em seguida são partidos, e as sementes, após
extraídas e selecionadas, vão para cochos de fermentação,
pelo período de quatro a sete dias, durante os quais são
resolvidos diariamente para a homogeneização das sementes.
É quando perdem o gosto amargo e soltam um agradável aroma
de chocolate. A secagem pode durar até dez dias, caso seja feita
com a utilização de luz solar nas barcaças, ou apenas
24 horas, se forem utilizados secadores artificiais.
Na grande maioria das fazendas, o produto final do cacau é a semente
seca com um teor de umidade em torno de 7%.
No início, só se atribuía importância ao cacau
por sua transformação em chocolate. Mais tarde, foram descobertas
as propriedades alimentícias e terapêuticas, fazendo do cacau
matéria-prima das indústrias alimentícia e farmacêutica.
Ao contrário de outros produtos como o café, o açúcar
e o milho, que podem ser consumidos isoladamente, o chocolate é
resultado, principalmente, de uma mistura de massa e manteiga de cacau
com açúcar e leite.
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Valor
Nutritivo do Cacau
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Substâncias
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Cacau
(Pasta)
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Cacau
(Pó)
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Cacau
(Pó) Desengordurado
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Calorias
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612,0
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365,1
|
407,0
|
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Glicídeos
(g)
|
9,5
|
18,0
|
43,0
|
|
Proteínas
(g)
|
30,0
|
21,0
|
25,0
|
|
Lipídeos
(g)
|
45,0
|
23,24
|
15,0
|
|
O
Cacau em pó apresenta ainda
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Cálcio
92,0 mg
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Ferro
2,70 mg
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Fósforo
455,0 mg
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Vitamina
C 1,0 mg
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Composição
Química
As sementes fornecem
45 a 55% de uma gordura branca com sabor doce e agradável chamada
"Manteiga de Cacau", que rança com facilidade. Esta gordura
é rica em ácidos graxos saturados: Ácido Esteárico
(30-35%), Palmítico (24-30%), Mirístico (2-3%), Oléico
(30-40%), Linoléico (2-4%). Os constituintes predominantes da gordura
são 77% de glicerol di-saturados monoinsaturados: 52% de, b palmito-óleo
estearina; 19% de b óleo-di-estearina e 6% de b óleo-di-palmitina.
Possui ainda 21% de gorduras mono-saturados di-insaturados: 9% b palmito-di-oléico,
12% de estearo-di-oleina. As sementes fermentadas e trituradas possuem
1-2% de bases puricas, especialmente teobromina e pequenas quantidades
de cafeína; substâncias de natureza tônica 5-8%, L-epicatequina,
leucocautocianidinas, flavonóides e vários ácidos
aromáticos, pequenas quantidades de açúcares, mussilagem,
pectinas, amido, esteróides, ácidos graxos, substâncias
protéicas 0.1 a 12%, vitaminas do grupo B (tiamina, lactoflavina,
piridoxina, pantotenato de cálcio, nicotinamida, ácido fólico,
B12), traços de vitamina D2 e óleo essencial.
fonte:
Ervas e Saúde - Ano II - nº 3 - Editora Escala - Págs.
35, 36, 37 e 49
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