SANTA INÊS

 

 

ENCICLOPÉDIA

Origem:

Raça nordestina, oriunda do estado da Bahia, a raça Santa Inês é considerada como sendo resultante de cruzamentos, seguidos por períodos de seleção e evolução pela ausência de lã. Pelo estudo dos ovinos existentes na região, seria resultado da fusão dos patrimônios genéticos de forma alternada e desordenada das raças mais antigas no Nordeste: Morada Nova (variedades vermelhas e brancas), Bergamácia e em menor escala, a Somalis. Surgiram, a princípios dessa mestiçagem na Bahia, animais de pelagem vermelhas com o nome de "pelo de boi", oriundo de um rebanho Morada nova vermelho vindo do Ceará e introduzido pela Secretaria de Agricultura do Estado, em 1948. Posteriormente, em Alagoas, surgiram mestiços de pelagem branca com o nome "Santa Inês", os mestiços de pelagem preta e Chitada surgiram concomitantemente neste Estado, porém em menor escala e não recebiam nenhuma denominação especial.

A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos, no encontro realizado em 1977, em Fortaleza, visando estabelecer o "Registro Genealógico dos tipos de raças ovinas do Nordeste", resolveu eliminar, em parte, a confusão dos mestiços, englobando-os com a denominação de Santa Inês.

O padrão elaborado e aprovado, criou quatro tipos de pelagem, dando margem para qualquer mestiço ser enquadrado como pertencente à raça.

Características Genéticas:

Cabeça – Tamanho médio; ausência de chifres; focinho alongado; perfil semi convexo; narinas proeminentes com mucosas pigmentadas (exceção da variedade branca); boa separação de olhos. Olhos. Orelhas de tamanho médio, cobertas de pêlos, em formas de lanças, inserção firme e um pouco inclinada na direção do comprimento da cabeça.

Pescoço – Bem inserido no tronco, de tamanho regular, com ou sem brincos.

Dorso – Reto, podendo apresentar uma pequena depressão após a cernelha.

Garupa – Levemente inclinada, tendo apoio em quartos fortes e bem colocados.

Cauda – Comprimento médio, não passando das jarretes.

Membros – Com ossos vigorosos; cascos escuros ou brancos, de acordo com a cor das mucosas nasais e órbitas oculares.

Pelagem Branca – Totalmente branca, sendo permissível mucosas e cascos despigmentados, além de outros caracteres que denotem uma influência do Bergamácia.

Pelagem Vermelha – Bastante comum, pelagem totalmente vermelha e outras características que denotem a influência do Morada Nova.

Pelagem Preta – Totalmente pretas e outras características que denotem um pequena influência do Somalis.

Pelagem Chitada – Caracteriza-se por uma pelagem branca com manchas pretas e/ou marrons, por todo corpo.

 

Características Produtivas:

Os Cordeiros pesam cerca de 4,9 Kg ao nascerem, alcançando 23,0 Kg aos 112 dias de vida. A mortalidade é de aproximadamente 32% por nascimento.

As Ovelhas, sob condições de campo, atingem 40 – 50 Kg. Em regime de confinamento, já registrou-se fêmeas com mais de 90 Kg. Explorada em regime de confinamento ou semi-confinamento, as ovelhas tem uma profilacidade de 130% e fertilidade de 84%, podendo ser acasaladas entre 8 e 12 meses, quando ela ultrapassa os 30 Kg de peso. Têm uma excelente capacidade leiteira, concorrendo para isto, os aprumos corretos e boa inserção de úbere. Ela amamenta bem os cordeiros, mesmo em partos gemelares, o que permite altos índice de crescimento dos cordeiros.

 

Reprodução:

Os ovinos desta raça, devido alcançarem alto desenvolvimento ponderal vêm apresentando grande expansão populacional. A prolificidade situa-se em torno de 1,30 e a fertilidade em 84%.

 

Finalização:

É uma raça de grande porte, que devido a sua boa produção leiteira permite criar facilmente os cordeiros nascidos de partos múltiplos. Raça em Expansão, está presente em todo o Nordeste e alguns estados do sudoeste do Brasil.

Devido ao seu grande porte, a raça Santa Inês é apreciada por sua boa conformação cárnica que confere aos cordeiros resultantes de cruzamentos ou puros, assim como por sua qualidade de cria das fêmeas puras.