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Em tamanho é o segundo peixe
de escamas do Amazonas (só perde para o Pirarucu). Mas é o campeão disparado
na preferência do povo de lá: chega aos 90cm de comprimento e 30Kg de
pouca espinha e farta carne de excelente sabor.
Como todo o peixe, é piscilotermo (a temperatura da água). Mas se dá melhor
em rios quentes, como os de origem andina das bacias do Orenoco e do Amazonas.
Cresce muito depressa e é um comilão. Alimenta-se de frutas, sementes,
folhas, plâncton, insetos e tudo o mais que cair na água - incluindo coquinhos
muito duros que tritura com seus dentes fortes, arredondados exatamente
para isso.
Quando a fome aperta, nem os peixes pequenos escapam da voracidade dele,
embora isso não seja habitual ( também de vez em quando a natureza lhe
dá o troco e ele vira comida de pirarara, peixe de couro que chega a medir
3m).
Com toda essa variedade de cardápio, o tambaqui já começa a habitar criações
de outros Estados brasileiros, com uma vantagem adicional: não pula e
é fácil de capturar em rede de arrasto. Peixe de piracema, só se reproduz
depois de vencer a correnteza dos rios na época das cheias. Enfrenta todos
os anos uma maratona de centenas de quilômetros, indispensável para se
tornar adulto e gerar filhotes.
Durante a piracema, quando os casais nadam juntos nos cardumes até perder
a força, os glutões tambaquis param de comer e gastam a energia acumulada
em forma de gordura, que carregam no abdômen.
Fácil de alimentar e acomodar (tanques devem ser de terra), o tambaqui
traz um único problema para quem pretende criá-lo: em água parada só procria
se tomar injeção.
Reprodução:
O tambaqui é um peixe reofílico, ou seja,
precisa nadar contra a correnteza dos rios para amadurecer sexualmente
e procriar. Trata-se do fenômeno da piracema. De agosto a dezembro, os
cardumes aproveitam as cheias para subir o rio, num esforço vital para
a reprodução: só assim os peixes desenvolvem em seu corpo o ácido lático
(o mesmo que o corpo humano produz quando os músculos são muito exigidos
e apresentam a sensação de dor e fadiga).
No caso dos peixes, o ácido lático se transforma, em parte, em gás carbônico
e água; e 15% ficam retidos no organismo, de forma a estimular a produção
de hormônios sexuais, através da hipófise - glândula situada abaixo do
cérebro.
Muito longe rio acima (os cardumes chegam a percorrer 1.000Km), macho
e fêmea, que nadam sob as águas lado a lado, sentem o momento exato da
desova. A reprodução é externa, como a das rãs: a fêmea despeja na água
seus óvulos (ás vezes até 1 milhão, dos quais cerca de 10% são fecundados)
ao mesmo tempo em que o macho lança sobre eles seu esperma, numa operação
rápida porque os óvulos morrem em três minutos se não forem fecundados.
Depois da fecundação, os ovos (óvulos + espermatozóides) sobem para a
superfície e os pais rodam rio abaixo, exaustos. Os ovos são carregados
pelo movimento natural das águas até as lagoas marginais, que se formam
durante as cheias, onde vão eclodir e dar origem a uma nova geração de
tambaquis.
Nas criações, o tambaqui só se reproduz artificialmente, porque a água
é parada não lhe permite realizar o esforço natural da piracema. É preciso
apelar para a hipofização: injeção de extrato de hipófise de outros peixes
em cada reprodutor da criação, macho e fêmea, para provocar o estímulo
sexual.
A técnica, muito delicada, exige a presença de um especialista.
Utilidade:
Carne: Pode-se comer assada,
cozida e ensopada, mas é mais comum ser preparada como churrasco. Tem
pouca espinha, e muito sabor, porque ele se alimenta basicamente de frutos
e verduras.
Cola: Sua "bexiga de gás"
(órgão que permite o equilíbrio hidrostático do peixe, isto é, sua orientação
vertical dentro dágua) contém uma mucilagem, espécie de goma muito
utilizada na fabricação de cola.
Escamas: As da linha lateral
do corpo chegam a 2cm 3, no Amazonas, servem para fabricação de flores
de artesanato e arranjos indígenas, inclusive colares.
Equilíbrio ecológico: Desde
filhote, come larvas e insetos aos milhares. Por isso, elimina muitos
transmissores de doenças, como a malária.
Farinha: Ossos e carne dão
boa farinha, em separado, ou em conjunto, na farinha integral.
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