BRETÃO

 

 

ENCICLOPÉDIA

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS E HISTÓRICO DA RAÇA BRETÃO NO BRASIL -

 DADOS ATUALIZADOS ATÉ JAN/2002

                Histórico    

                    A origem da raça Bretão teve início em 1830 na França, mais precisamente na região da Bretanha  ( Noroeste da França ) sendo que o livro genealógico iniciou-se em 1909 e hoje é controlado pelo Syndicat des Eleveurs du Cheval Breton , que a partir de 1950 começou a marcar à fogo os animais inscritos no livro com a figura  estilizada de um armiño (arma branca, semelhante a uma espada) na tábua esquerda do pescoço.

                       O cavalo foi trazido para o Brasil face  iniciativa do Exército, que precisava do animal para puxar os equipamentos de artilharia. As primeiras importações ocorreram provavelmente em 1927 pelo Estado de São Paulo, através da vinda do garanhão Breslau, destinado ao antigo Haras Paulista de Pindamonhangaba.

                    Entre 1932 e 1956, o Exército Brasileiro importou perto de cem reprodutores para as Coudelarias de Tindiqüera-PR, de Rincão-RS, Pouso Alegre-MG e Campo Grande-MS, sendo que os serviços e manejo ficaram concentrados  na Coudelaria de Tindiqüera por ter melhor clima para adaptação dos importados .

                   Através dos programas de expansão da raça, muitos governos estaduais  e criadores particulares receberam, através de empréstimo, garanhões do Exército para cruzar com as éguas Bretãs e éguas  comuns (as éguas puras eram adquiridas em leilões realizados pelo Exército).Com a desativação da maioria das coudelarias do Exército na década de 70, devido a chegada da mecanização agrícola, o já reduzido rebanho centralizado em Tindiqüera-PR foi vendido em leilão e algumas dezenas de criadores paranaenses cuidaram  de sua preservação. O Haras Paulista de Pindamonhangaba foi transferido para a Coudelaria Paulista, hoje Estação Experimental de Zootecnia do Instituto de Zootecnia de SP, no município de Colina, onde o governo estadual concentrou um rigoroso trabalho de seleção da raça no Estado. Novos produtos foram adquiridos ou emprestados para cruzamentos que ajudaram a aumentar o plantel paulista, que ganhou mais três fêmeas e um garanhão importados da França em 1976 e outros seis animais em 1983. Os produtos foram sendo comercializados em leilões anuais e comprados por criadores de todos Estados, mas principalmente de São Paulo e Minas Gerais. Hoje o Posto de Colina conta com o maior plantel PURO da raça Bretão no país.

                Em 1982 foi fundada a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DO CAVALO BRETÃO, em Curitiba-PR, por um grupo de criadores , mas  somente em 1989 abriu seus livros de Registro Genealógico . A Associação Brasileira da raça passou por várias dificuldades em Curitiba, mas conseguiu superá-las com o apoio dos criadores de São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

                 Em 1986 as Secretarias de Agricultura de Goiás e do Rio Grande do Sul importaram da França cerca de 30 animais, os quais foram vendidos a criadores particulares de São Paulo e Minas Gerais. Depois começaram as importações particulares, primeiramente pelo Sr. Lineu de Paula Machado , em 1990, que trouxe para Botucatú- SP 11 animais (10 fêmeas e 1 garanhão

              Em 12/06/95 em Assembléia Geral Ordinária para eleição de nova Diretoria, foi aprovada por unanimidade, a transferência da sede de Curitiba-PR para Jaguariúna , Estado de São Paulo, pois a ABCCB necessitava se aproximar da grande concentração das Associações Brasileiras de raça e ser reconhecida e divulgada no meio eqüestre.  

              Após as mudanças, começaram as melhoras e a repercussão foi grande, muitos interessados na raça e novamente voltaram as importações através do Sr. Anis Razuk, em setembro de 1997, que trouxe para sua propriedade em Itú-SP: 2 garanhões e 2 éguas prenhas.

              Através de doações dos membros das Diretorias 95/97 e 97/99 a Associação conta hoje com um centro de processamento de dados que além de servir ao Serviço de Registro Genealógico (SERG), auxilia a administração e o departamento de cobrança tornando os serviços mais rápidos e melhor atendendo os criadores do Bretão.

                    Em Novembro de 1997 a ABCCB firmou um convênio com o Ministério da Agricultura, onde através de suas verbas conseguimos: um novo software para o SERG e para a ABCCB , a confecção de impressos de divulgação, uma reunião com o Syndicat des Eleveurs du Cheval Breton para intercâmbio e,  a realização de cursos para credenciamento de novos inspetores em outros Estados.

                 A  Associação possui cerca de 150 criadores , concentrados nas regiões de São Paulo, Paraná , Minas Gerais e Rio de Janeiro, já tendo alguns criadores no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.

              O principal objetivo da Associação é aumentar o número de animais registrados e o número de sócios e criadores . Ainda existem muitos animais sem registro porque os criadores não tinham informações da existência de uma Associação que controlava a raça . Até hoje a Superintendência aceita registrar animais erados que tenham genealogia comprovada por documentação oficial ou, se o proprietário souber sua origem, mediante inspeção por técnico credenciado e posterior aprovação do Superintendente ou, dependendo do caso , do Conselho Deliberativo Técnico. A maioria destes animais já possuem registro e foram vendidos sem transferência, neste caso, fica mais fácil para resolver a situação do atual criador.

                Outro objetivo da Associação é aumentar o número de participações em Exposições e organizar mais Leilões, para que a raça seja mais difundida. Tanto que, no ano seguinte da transferência de sede, realizou uma Exposição Interestadual (ou 1ª Nacional) na Água Branca-SP e um leilão (Agosto de 1996), em Novembro de 1997 realizou a 2ª Exposição Nacional e uma Feira Livre no AGROCENTRO em São Paulo-SP.

Últimas importações

- 1998 - O Sr. Anis Razuk de Itú-Sp e o Sr. Cláudio Marcelo Borja de Almeida de Amparo - SP trouxeram em novembro:  2 éguas Reservadas Campeãs nas respectivas categorias e 1 garanhão Campeão Nacional da principal  Exposição Nacional da França e 2 machos castrados campeões de atrelagem de 95 à 98.

- 1999 - O Sr. Cláudio Marcelo Borja trouxe mais um casal campeão: O Grande Campeão Nacional Cavalo 99 e a Campeã Égua 99 da Exposição Nacional da França, realizada todo ano em Setembro.

- 2001 - Chegou em maio um garanhão que foi o Grande Campeão Nacional da França em Set/2000 para o Sr. Cláudio Borja.- JASMIN - de 4 anos.

       A credibilidade conseguida desde 1997 quando foram retomadas as importações, e um melhor intercâmbio com o Syndicat des Eleveurs du Cheval Breton em 1998, fez com que o Brasil fosse considerado um dos melhores importadores pelos principais diretores dos Haras Nacionais Franceses e pelo Presidente do Syndicat, por escolhermos bem os animais, selecionando padrão e genética que eles consideram top na França. Portanto, as últimas importações foram importantíssimas para melhoramento e refrescamento do sangue no plantel nacional brasileiro.

Últimas Exposições - Objetivos ABCCB

    Em 1998 foi realizada a Exposição Nacional em Ribeirão Preto-SP com resultados acima das expectativas, e pela primeira vez com o julgamento feito por um técnico francês, que já na época elogiou o plantel brasileiro.

    Em 1999 realizamos a 4ª Nacional em Ribeirão Preto também julgada por um juiz francês.

     A Associação em 1999 tornou a Exposição Nacional itinerante para que a divulgação da raça seja ampliada para todas regiões, primeiramente no Estado de São Paulo e futuramente será deslocada para outros Estados.

    Em Julho de 2000 foi realizada a última Nacional durante a FAPIJA - Jacareí-SP

    Iríamos realizar nossa Nacional em Baurú (EXPO-BAURÚ) de 15 a 18/11/2001, mas o recinto de Baurú foi interditado devido à gripe equina e nossa participação foi cancelada.

      Mostras: Alguns criadores de outros Estados que não possuem animais em quantidade suficiente para realizarem um julgamento (principalmente do RJ,SE e MG), têm levado alguns animais para participarem de Exposições importantes, como mostra da raça. Deste modo também divulgamos a raça e inicia-se um novo mercado em cada região.

   

        No início de 1998 a ABCCB mudou para Amparo-SP e hoje está no seguinte endereço:

R. Osvaldo Cruz, 267 - Centro - 13900-000 - Amparo - SP

TEL/FAX: (019) 3807-7974 e cel. 9715-4545.

e-mail: cavalobretao@uol.com.br

Serviço de Registro Genealógico

         O Bretão no Brasil é registrado como:

          P.O. (Puro de Origem)

          P.C. (Puro por Cruza- a partir de 31/32 de sangue Bretão)

          MESTIÇO (1/2 sangue até 15/16 de sangue Bretão)

          ÉGUA BASE ( comum ou de outra raça ).

           O Bretão recebe um Registro Provisório ao nascer e, após entrar em época de reprodução, é Registrado em Definitivo ( 36 a 60 meses de idade) , em ambas idades são inspecionados por técnico credenciado.

        Hoje a ABCCB tem registrado em seus livros em torno de 1.775 animais, sendo 750 puros de origem, 110 P.C. , 780mestiços e 135 éguas bases. Acredita-se que devam existir mais de 500 animais sem registro espalhados por todo Brasil.

       Tivemos um crescimento real de 18 % em 3 anos.

       Devemos ter em torno de 1.100 animais vivos.

       Em 1999 foi incluída e aprovada a Transferência de Embriões, que entrou no regulamento do SRG para acelerar o crescimento da raça e o selecionamento, utilizando somente animais de excelentes linhagens e premiados em Exposição. Tivemos que incluí-la pois a principal dificuldade encontrada hoje pela raça é o número de animais à venda, principalmente de fêmeas, que é muito baixo comparado com a demanda que temos nestes últimos 3 anos, e os criadores mesmo tendo aumentado o número de cobrições por ano, ainda não conseguem suprir o mercado, e não conseguem vender animais na faixa etária de 4-5 anos, pois acabam vendendo antes de chegarem aos dois anos.

PADRÃO RACIAL DO CAVALO BRETÃO

                        O  Bretão é um cavalo de tração de porte médio, brevelínio, com temperamento dócil e de fácil manejo. Suas características morfológicas são as seguintes:

a) CABEÇA - Quadrada de tamanho médio, fronte larga, chanfro largo e reto, às vezes levemente côncavo, olhos vivos, orelhas pequenas, narinas amplas, ganachas pouco volumosas.

b) PESCOÇO - Forte, curto, de formato piramidal, de inserção baixa com o tronco, ligeiramente rodado, com crineira abundante e freqüentemente dupla.

c) TRONCO - Cilíndrico, amplo, com bom arqueamento de costelas. Peito largo, forte e musculoso. Cernelha forte e pouco pronunciada. Espáduas musculosas e inclinadas. Dorso e lombo curtos, largos, retos e fortes. Garupa larga, dupla e ligeiramente inclinada. Cauda  com implantação regular. Linha ventral próxima do chão.

d) MEMBROS - Fortes, bem aprumados, com articulações amplas e resistentes. Canelas curtas e secas, com sólida ossatura. Quartelas pouco inclinadas, boletos largos com presença de pelos na região posterior e na coroa dos cascos. Antebraços e coxas musculosos e possantes. Jarretes largos bem alinhados e de angulação ampla. Cascos grandes e fortes.

e) PELAGENS - Alazã e castanha, e suas variações, incluindo a rosilha, não sendo admitidas a tordilha, pampa e albina.

f) ALTURA - Mínima de 1,52 m para machos e 1,47 m para fêmeas.

g) PESO - Média de 650 Kg para fêmeas e 850 Kg para os machos, podendo  chegar a 1.100 Kg

h) ANDAMENTO  - Trote, com movimentação ampla e desenvolta.

Funções da raça

Ω - LAZER E TURISMO -    O Bretão é utilizado em vários países para puxar carruagens e troles  para passeios turísticos ou da própria família para o lazer, como também é utilizado como montaria em desfiles e pelos militares de certos países para policiamento. Aqui no Brasil são mais utilizados os troles, as carruagens e as carroças.

Ω - TRAÇÃO PESADA - carroções carregados e toras de madeira.

      Um cavalo Bretão mestiço chega a puxar, num implemento sem rodas, 700 Kg sozinho e um puro cerca de 1.500 Kg e num implemento com rodas, 1.000Kg e 4.000 Kg respectivamente , mas todo atleta precisa de condicionamento, por isso eles têm que estar bem treinados para puxar cada vez mais peso. Quem utiliza o Bretão, para o trabalho, observa que o cavalo faz o serviço com prazer. É utilizado pelos fazendeiros para levar alimentação para o gado ou outros cavalos (silagem ou feno), na limpeza das cocheiras levando o esterco, nos reflorestamentos carregando toras, etc..

Ω - ÉGUA AMA DE LEITE - Adota outro potro para amamentar.

     A égua Bretã fornece ao potro Bretão em média 24 litros de leite diários, enquanto as outras raças fornecem em média 14 litros, por isso, a égua Bretã tendo também excelente habilidade materna, tem sido muito utilizada pelos criadores de PSI e BH para amamentar os potros dessas raças. O objetivo destes criadores é de ter um melhor desenvolvimento no desmame destes produtos, cuja diferença é bem significante.

Ω - ÉGUA PARA RECEPTORA EM TRANSFERÊNCIA DE EMBRIÕES

   Por ter melhor qualidade e quantidade de leite e o útero maior , as éguas Bretãs, geralmente as mestiças acima de 3/4-7/8 Bretão , Puras por Cruza  e P.O. , estão sendo utilizadas pelas raças Mangalarga e Brasileiro de Hipismo para receberem embriões e criarem , melhor que estas raças, os futuros campeões. A diferença de crescimento dos potros é surpreendente, tanto ao nascer como ao desmame , chegando há diferenças entre 5 à 10cm de altura na cernelha, além de uma musculatura mais destacada e vitalidade maior do que se fosse criado pela mãe da mesma raça.

Ω- TRABALHO AGRÍCOLA - Aração com aiveca, plantio com sementeira, cobertura das sementes, extração de madeira, etc.

     - Por ser um animal de temperamento dócil, e maior força , tem sido preferido pelos pequenos e médios agricultores para a tração animal substituindo com maior eficiência os burros e mulas. Por ser rústico e de fácil alimentação, geralmente de criação extensiva e sal mineral, também substitui o pequeno trator, barateando as despesas do agricultor com manutenção e mão-de-obra de um trator.

 

Ω - FORMADOR DE MESTIÇOS  - o garanhão Bretão é excelente para cruzar com éguas de outras raças mais leves para formação de mestiços mais resistentes, mais fortes e mais bonitos . Ao contrário do que muita gente pensa, não dá problema na cobertura e nem no parto, só recomendamos que a égua esteja saudável e com boas condições físicas. Os mestiços machos têm utilidade na sela e na tração animal e as fêmeas, além dessas funções, também têm sido utilizadas como receptoras de embrião de outras raças e para matrizes de novos cruzamentos com garanhão Bretão para aumentarem o grau de sangue , pois depois de 6 gerações poderão produzir produtos P.O..

ALIMENTAÇÃO

      O Bretão é uma raça rústica e conforme pesquisas feitas no Instituto de Zootecnia de São Paulo, em Colina, foi comprovado que possui a melhor conversão alimentar entre raças como BH e Mangalarga, isto é, aproveita bem os nutrientes da alimentação fornecida seja de baixa ou excelente qualidade, convertendo em massa muscular e gordura, mantendo seu peso com poucas exigências, tanto que é muito difícil ver um Bretão magro quando se tem pasto e sal mineral à vontade  e,  se não estiver trabalhando ou na fase de crescimento e reprodução, nem precisa de ração balanceada para complementar.

               Os Bretões, principalmente os garanhões não devem ficar obesos, para que não tenham problemas futuros. Os técnicos da ABCCB recomendam que os garanhões fiquem a maior parte do tempo soltos e tenham espaço para se exercitarem diariamente, mesmo que estes trabalhem durante um período, eles não podem depois ficarem fechados em cocheiras ou num local com pouco espaço. Se o criador não tiver como deixá-lo solto , deverá ter sempre um acompanhamento veterinário , principalmente para verificar e evitar inchaços da bolsa escrotal, alterações da movimentação intestinal, da freqüência cardíaca e respiratória e, se for possível, exercitá-lo .

             Para evitar a obesidade, além das recomendações acima, tanto para o garanhão como para a égua o que nós devemos ter em mente é que a alimentação principal do cavalo é o volumoso (verde ou seco), geralmente com fartura e qualidade, o sal mineral à vontade e a água  que deverá estar sempre limpa e à vontade para o animal.

QUANTIDADES: Como regra geral para todas as raças, a quantidade diária de ração fornecida ao animal só para manutenção não deve ultrapassar 1% do seu peso vivo e se possível deverá ser dividida em 3 vezes, por exemplo, no caso de um animal de 700 Kg (média das éguas) ele receberá no máximo : 7 Kg/dia divididos em: 2,5Kg pela manhã, 2 Kg no meio do dia e 2,5 Kg á tarde, para evitar possíveis cólicas e absorver melhor os nutrientes com uma melhor digestão, sempre tendo volumoso e sal mineral à vontade (nunca misturar o sal na ração). A média de consumo de uma boa ração para este peso no Bretão é de: 3,0 Kg dia. - Consumo igual a uma raça de porte menor com 350 Kg. Isto é, ele tem um aproveitamento de mais de 50%, comparando com seu peso.

      O concentrado ou a ração granulada entra como complemento alimentar nos seguintes casos: 1- animais que estejam trabalhando diariamente; 2- animais em época de reprodução (garanhões e éguas prenhas); 3- animais em fase de  crescimento (potros até um ano e meio) e 4- para os animais que sofrem no período de seca ou inverno rígido (pastos caem em qualidade e quantidade do volumoso).

         Portanto, se novos interessados em criar bretão resolverem não criar por achar que eles comem muito, sendo que a maioria hoje pensa isso, estarão cometendo um equívoco.

      Para os animais que trabalham , deveremos procurar rações com alto teor de energia e não necessariamente aumentar a quantidade diária, pois a única diferença dos outros animais é que ele vai transpirar mais e gastar mais energia durante o dia. Se, por acaso, o animal começar a emagrecer, poderá ser aumentada a quantidade diária em até 0,5% do Peso Vivo, limite de absorção e digestão dos nutrientes, dando um total diário de 1,5% do Peso Vivo, por exemplo, no caso citado acima o animal em trabalho, pesando 700Kg-800Kg, poderá comer até 10 Kg/dia, somente se com 4, 5, 6, 7 Kg, 8Kg ou 9Kg não forem suficientes para mantê-lo em estado físico normal (sem aparecer costelas ou pontas de osso (íleo) na garupa).

       Sempre evitar o fornecimento de ração logo após o trabalho, deixe-o descansar pelo menos uma hora no pasto. O ideal é sempre fornecer a ração uma hora antes do trabalho.

     Esta porcentagem de 1,5% do peso vivo, além de animais em esforço contínuo e pesado, é geralmente aplicada para éguas em lactação e para garanhões que realizam mais de uma cobertura por dia na estação de monta.

Estas porcentagens ( 1 a 1,5%) também variam de acordo com a qualidade da ração, pois rações de excelente qualidade chegam a suprir as necessidades do animal com porcentagens inferiores a estas.

Para os animais em crescimento deveremos procurar rações com alto teor de proteína (acima de 16%) e com os níveis de cálcio e fósforo em 2:1, deixá-los sempre soltos e à luz do dia, fatores importantíssimos para desenvolver melhor sua musculatura e atingir a altura desejada pela raça.

Em todos esses casos, o volumoso e o sal deverão ser as prioridades na alimentação; a ração e a quantidade que você administrará dependerá de cada animal e da qualidade da ração, tem animais de 700 Kg que passam bem somente com verde e sal mineral, outros com a complementação de 4 Kg de ração, e outros com 9 Kg, por isso observe bem as condições físicas de seu animal, não deixando que fique obeso (papo no pescoço, flanco roliço, sua muito e tem dificuldades para respirar), e nem tampouco que fique magro (aparecer costelas e fraco).

   Normalmente, quase que na totalidade, o Bretão sempre tem como média o consumo baixo de ração se comparado às raças mais leves, mas como em qualquer raça, temos algumas exceções (muito raras) e normalmente são com rações de baixa qualidade.

    Se o consumo médio de todos animais for sempre acima de 1% , verificar a qualidade da ração que está utilizando, pois não é normal na raça bretão esta média, podendo estar aí o problema. Normalmente as rações mais caras são as melhores e a relação custo/benefício acaba sendo igual à da mais barata , pois a quantidade administrada em alguns casos chega a ser 40% menor que a mais barata, além de ter a certeza da qualidade das matérias primas utilizadas  onde os animais realmente mostram resultado no pêlo , na disposição e na saúde geral.

     O Departamento Técnico da ABCCB está sempre à disposição de todos os criadores que tiverem dúvidas ou que quiserem maiores informações sobre o Bretão nas áreas de veterinária e zootecnia.

DOMA

      O cavalo bretão por ser extremamente dócil , é fácil domá-lo utilizando as mesmas técnicas das outras raças. A única diferença : dar muito mais carinho, pois eles adoram e são muito fiéis aos tratadores e ao dono quando são bem tratados, retribuindo com trabalho e esforço.

      Recomendamos que a doma seja feita após os 36 meses, pois é a idade que ~70-80% de seus órgãos, ossos, tendões e musculatura já estão aptos para o esforço físico, sempre iniciando com cargas leves e médias, sendo ideal a idade acima de 4 anos para esforços contínuos e pesados. Esta recomendação é feita também para que o animal possa crescer mais, pois aqueles que são domados antes e começam a trabalhar cedo, param de crescer.

REPRODUÇÃO

    Como em qualquer raça eqüina, a idade de cobrição ideal é acima de 36 meses, tanto para machos como fêmeas, os animais que entram em reprodução com 24 meses param de crescer e geralmente dão problemas reprodutivos com o passar do tempo. No caso das éguas, é muito comum o aborto ou ter problemas de útero e aleitamento quando são cobertas com 2 anos.

       O período de gestação é igual ao das outras raças :11 meses e o cio também :de 21 em 21 dias.

PREÇOS

Puros de Origem

Desmamados a 1 ano : R$ 2.000,00 à R$ 10.000,00

1 a 2 anos : R$ 2.500,00 à R$ 12.000,00

Acima de 2 anos: R$ 4.000,00 a R$ 18.000,00

Alguns animais de linhagem francesa excelente, filhos de importados , ou premiados em exposição possuem valores superiores, podendo chegar a R$ 30.000,00.

Puros de Origem Importada

Hoje a média de preço para trazer um animal da França é de U$ 12,000, vai depender da idade e de quantos animais forem importados no mesmo avião.

 Se tiver premiações pode chegar à U$ 20,000, estes preços já incluem impostos , taxas de despachante, exames e transporte aéreo (Container para 2 cavalos custa US$ 11,500).

Mestiços

Desmamados a 2 anos: R$ 500,00 à R$ 2.500,00

Acima de 2 anos: R$ 1.000,00 à R$ 5.000,00 (depende da doma e do porte)

 

Mercado

        Devido à intensificação da divulgação em mídia e em exposições, o mercado cresceu surpreendendo todos criadores, sendo que nosso preço médio para animais puros  era de R$ 1.200,00 em 1994 e passou para R$ 5.000,00 no ano 2.000. E vem mantendo bem esta média, em várias vezes ultrapassada, e logicamente nos referindo a animais de boa criação, boas linhagens e bem apresentados.

         Com esta “explosão” no mercado, o plantel de animais à venda ficou reduzido, tanto de animais puros como mestiços, obrigando os criadores a venderem animais mais novos e também aqueles animais, acima de 10 anos, que estavam selecionados para ficarem em seus plantéis. Atualmente, com o aumento de novos criadores principalmente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Norte e Nordeste, a tendência é que o mercado se estabilize e tenha uma maior oferta de animais daqui para frente, com um trabalho sério de selecionamento orientado pela ABCCB.

    Comparados com outras raças importadas (QM, PSI, Lusitano,etc.)  a escassez no mercado e a qualidade que já possuem, não são considerados caros pelos criadores destas outras raças.

PRIMEIRA EXPORTAÇÃO

     Em Setembro de  2001 ,  através de recomendações francesas e por apresentarmos animais de qualidade, mesmo não possuindo muitos animais em oferta, conseguimos vender 5 animais para o Uruguai, país que ainda não possuía bretões .  E estarão vindo em segunda viajem para nova compra, agora só de machos, para outros criadores interessados na formação de mestiços para trabalho e para receptora de embriões.

     O preço médio foi de R$ 9.500,00, sendo um casal de potros de ano, 2 éguas prenhas e um garanhão.

Qualquer dúvida ou interesse em adquirir ou conhecer mais o Bretão, liguem para a ABCCB e falem conosco pelos tels.: (019) 9715-4545/3807-7974.

Atenciosamente

                  SUSANA REINHARDT CINTRA

Diretora Técnica e Superintendente do SRG da ABCCBretão

 

Amparo, 20 de Janeiro de 2002.


BRETÃO PESADO

Cabeça proporcionada, de fronte larga, plana ou côncava, com uma depressão na sutura frontonasal, mais evidente no macho. Face curta e direita, arcadas orbitárias salientes, com olhos vivos e expressivos, orelhas pequenas, queixadas separadas e bem cobertas.

Pescoço forte, curto, um pouco rodado, provido de crina abundante.

Corpo grosso, curto, cilíndrico, com cernelha larga e pouco saliente.

Dorso e rins curtos e musculosos. A garupa oblíqua, musculosa, dupla, com ancas salientes e cauda, caída, de abundantes crinas. Peito saliente, costado redondo e ventre recolhido.

Membros - Os membros são curtos, sólidos, com articulações fortes e nítidas e pêlos longos e duros no machinho. Espáduas quase direitas.

BRETÃO POSTIER

Cabeça fina, antes pequena, de expressão resoluta e enérgica, de perfil côncavo, e com chanfro não raro convexo, com as orelhas pequenas bem colocadas, às vezes um pouco baixas, olhos grandes e vivos, narinas dilatadas.

Pescoço curto, espesso, rodado e elegante, com crina grossa.

Corpo cilíndrico, espesso, curto, com cernelha regular, longa e espessa, dorso e lombo curtos e largos garupa musculosa, freqüentemente dupla, inclinada, com cauda de inserção alta e bem fornida. O peito é largo e musculoso, o tórax largo com costado arcado, o flanco curto e o ventre recolhido.

Membros - A espádua é obliqua, o antebraço curto, a canela é fina, sem pêlos no machinho, articulações e cascos fortes.

Aptidões e outras qualidades
O tipo Grande de Bretão é mais empregado para trabalhos agrícolas, por ser um animal de tiro pesado e lento, enquanto o tipo Postier é utilizado em tiro médio a trote, principalmente na artilharia, onde é muito estimado, pois tira com a mesma facilidade cargas pesadas a passo e cargas médias a trote. Trabalha tão bem em terrenos duros e acidentados como nas terras aradas. Seus andamentos são o passo, o trote e o galope, rápidos, decididos e elegantes, podendo ser usado na tração de carruagens. É um animal forte, rústico, sóbrio e corajoso.
O Postier acostuma-se às intempéries e, principalmente nas regiões quentes, suplanta as outras raças de tiro neste aspecto. Se for necessário, contenta-se com uma alimentação parca e maus abrigos sem se ressentir à muito.
Neste país, é a raça que tem dado os melhores resultados para a artilharia e produção de mulas destinadas ao mesmo fim.