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A primeira variedade zebuína
mocha, objeto de seleção no Brasil, é a Tabapuã, tomada ao touro fundador
e ao município em que se formou. Esse gado se assemelha bastante ao Zebu
americano - o Brahman - quanto à sua composição racial, que é predominantemente
Nelore, com algumas características do Guzerá e traços de sangue com o
nosso Tabapuã.
A origem da nova raça, suas características morfológicas e aptidões econômicas,
já foram minuciosamente analisadas em outros trabalhos do Autor e em folhetos
de divulgação publicados pelos seus principais criadores e selecionadores.(82-86-90)
O aumento de núcleos de seleção e criação, decorrente de nossa pecuária
zebuína; o crescente interesse pelo gado desprovido de chifres, face às
vantagens que apresenta no tocante a sua estabulação, ao transporte ferro
e rodoviário; e, presentemente a tendência para o confinamento, são razões
que concorreram para a abertura de livro de Registro, por parte de Associação
Brasileira de Criadores de Zebu.
Anteriormente, o Departamento da Produção Animal de São Paulo havia criado
um registro provisório para os rebanhos de gado Zebu - Mocho, de âmbito
estadual, de acordo com um padrão estabelecido pelos seus técnicos, mas
bastante elástico e visando especialmente à parte econômica.
No ano de 1970, atendendo a solicitações de criadores, a então Sociedade
Rural do Triângulo Mineiro, propôs ao Ministério da Agricultura a criação
de livro para o mocho, obedecendo ao padrão aprovado pelo seu Conselho
Técnico, em reunião realizada em 7 de dezembro. Os trabalhos de registro
tiveram início em 1971, encontrando grande receptividade, da parte de
pecuaristas que vinham formando e selecionando zebuínos desse tipo.
Até fins de 1973, estavam registrados provisoriamente (controlados) 834
machos e 897 fêmeas, somando 1.731 inscrições; os registros de adultos
atingiam 274 machos e 3.938 fêmeas, somando 4.212 registros, num total
geral de 5.948 animais registrados, o que nos dá idéia do volume do rebanho.
Seleção funcional
Evidentemente, os rebanhos mochos ainda não
constituem raças, sendo prematuro classificá-los como tais; entretanto,
nada impede que se intensifiquem os trabalhos nesse sentido, levados adiante
por criadores e técnicos. O padrão racial é bastante elástico e prático;
a seleção e o melhoramento desse gado será relativamente fácil, porquanto
os criadores não estarão presos a características raciais super-valorizadas
, como ocorreu com outras raças. Os métodos de seleção tem evoluído; as
provas e concursos contam com a participação de crescente número de selecionadores,
mesmo nos centros mais tradicionais, e por isso mais conservadores, como
no Triângulo Mineiro.
Alguns criadores procuram orientar a seleção visando a um gado misto.
Como produtor de carne, o mocho já tem demonstrados suas possibilidades,
nas provas de ganho de peso. Como produtor de leite, vem respondendo de
maneira surpreendente aos estímulos da seleção zootécnica. com isso, o
Brasil poderá contar com mais uma raça zebuína além daquelas trazidas
da Índia, pela intuição e pelo esforço de seus pecuaristas, apoiados nos
serviços técnicos de suas Entidades, de alguns Estados e do Ministério
da Agricultura. E estará em condições de atender à crescente demando de
reprodutoras melhorados, por parte de outros países situados na faixa
intertropical, tanto da América como da África e, talvez, para a própria
Ásia, de onde nos veio o gado "sagrado".
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