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Esta foi a primeira raça
formada deliberadamente pela consangüinidade estreita. Seus iniciadores
foram os irmãos Charles e Robert Colling, seguidos por Booth e Bates (1750
a 1850), que adquiriram muitos animais dos primeiros e os aperfeiçoaram.
É autóctone do fértil vale do rio Tees, dos condados de York- Durham e
Northhumberland (Grã-Bretanha).
O gado primitivo então chamado Teesvvater ou Holderness já possuía qualidades
notáveis e tinha sido muito influenciado pelo gado dos países baixos,
devido à importação de reprodutores holandeses e flamengos.
O touro "Hubback" por exemplo, que constitui o verdadeiro pilar
da raça, era neto de um touro holandês e procriou um dos mais celebres
touros da raça. Favorito, que foi intensamente usado em consangüinidade
estreita. Booth e Bates seguiram orientações um pouco diferentes:enquanto
o primeiro continuou a trabalhar no aperfeiçoamento dos animais de corte,
visando maior precocidade, predisposição à engorda e rendimento, o segundo,
aproveitando-se das boas faculdades leiteiras da vaca "Duchess",
pretendeu obter uma variedade mista. Estes animais eram melhores leiteiros,
mais altos e mais vivos, com as paletas mais altas, as costelas dianteiras
mais chatas, nádegas largas, em geral menos cheios de carne e de cor mais
escura, enquanto os de Booth, mais compactos e baixos, mais feios, com
as espáduas mais caídas, com costelas mais cheias, bem fornidos de carnes,
representavam um verdadeiro tipo de açougue.
O Shorthorn é criado na Grã-Bretanha e em muitos outros países, como lrlanda,
França, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Austrália, Chile e Brasil.
Mostra boa adaptação às regiões de clima temperado. Houve, com o tempo,
muitos cruzamentos entre as duas variedades citadas e, embora a variedade
leiteira tenha prosperado, a raça propriamente dita é especializada para
corte.
Este gado é também chamado "Durham" e às vezes "Shorthorn
de pedigree", para não ser confundido com outras variedades menos
aperfeiçoadas.
Descrição
Peso de 500 a 600Kg nas vacas e 700
a 900 nos touros.
Estatura de 138cm nas fêmeas e 145
nos machos adultos.
Pelagem de cor vermelha e branca passando
pelo rosilho e malhada de rosilho em manchas mais ou menos extensas, sendo
mais estimados para os climas quentes os de pelagem vermelha; os de cor
fulva, que podem surgir, tem menos valor e o pêlo preto indesejável.
Os pelos são abundantes, longos, sedosos, macios, com tendência a ondular.
O couro é relativamente delgado, elástico, suave, com abundante gordura
subcutânea nos animais gordos, formando grandes maneios na base da cauda,
ancas, costado, base do pescoço, esterno e garganta. As mucosas são róseas
no focinho, palato e pálpebras onde qualquer outro pigmento é sinal de
impureza.
Os chifres tem pontas escuras mas não pretas.
Cabeça pequena com fronte larga e
pouco cavada, perfil côncavo; olhos grandes, brilhantes, mansos, à flor
da testa; face estreita; boca ampla e narinas largas.
Os chifres são pequenos, amarelos, saindo um pouco na frente dos lados
da marrafa, dirigem-se para fora, depois em crescente para cima, mantidos
horizontais ou um pouco baixo nas pontas, que se conservam um pouco afastados.
Pescoço curto, aumentando gradualmente
para trás, bem unido à paleta, com o bordo superior direito e o inferior
vertical, devido à grande proeminência do esterno.
Corpo típico de gado de corte, em
forma de paralelepípedo, terminando de todos os lados por linhas retas.
O garrote, o dorso, o lombo e a garupa são retos e largos, formando uma
tábua; o peito amplo e musculoso, com a ponta bem projetada para
diante; as costelas são arqueadas e cheias, mesmo no cilhadouro; as paletas
são bem afastadas e aplicadas, bem unidas às regiões vizinhas, sem se
mostrarem aparentes; as ancas são afastadas, em nível com a linha do sacro;
a garupa é relativamente pequena, curta e pouco musculada; a cauda de
comprimento médio, meio grossa, ligada à flor da garupa e encavada entre
as nádegas; as coxas são retas, cheias e descidas.
Membros curtos, finos, nítidos, de
aprumos corretos, musculosos até o joelho e garrão e finos daí para baixo,
pois o esqueleto é delgado.
Aptidões e outras qualidades
O Shorthorn é um gado de corte altamente
especializado, distinguindo-se pela sua precocidade e engorda rápida.
Sua aptidão à engorda é excepcional, porém a qualidade da carne é pouco
apreciada, porque a distribuição da gordura não é bem feita e a carcaça
da grande percentagem de pedaços para cozer e pouca para assar.
Quando bem gordos, dão um rendimento elevado, que atinge de 68 a 72%.
É um gado linfático, muito exigente, especialmente na primeira idade,
pouco rústico, não convém aos climas quentes e pastos secundários, porém
é inigualável em pastagens superiores, revelando grande apetite e extraordinária
assimilação.
A fecundidade não é muito grande, o que obriga o criador a freqüentes
aquisições de reprodutores. Prestar-se-ia a um regime mais ou menos intensivo
ainda incompatível com as condições atuais do nosso meio criatório. Em
cruzamento com vacas zebus tem dado bons mestiços no Estado de São Paulo,
porém nos parece menos recomendável que o Hereford e o Angus, que mesmo
nos Estados do Sul tem-se comportado melhor.
As variedades Shorthorn-Aberdeen da Escócia e Red Lincoln parecem ser
mais rústicas e, por conseqüência, mais recomendáveis, embora menos aperfeiçoadas.
Suas faculdades leiteiras são um pouco variáveis de uma sub-raça para
outra, mas em geral dão bastante leite após a parição, secando 5 a 6 meses
depois. Podem dar 3.000Kg de leite com 3,4% de graxa, mas, devido às fortes
exigências do bezerro, a ordenha só deve ser feita sem prejuízo do mesmo,
pouco tempo depois do parto.
Possui variedades leiteiras, que se encontram nos condados de Yorkshire,
Cumberland, Lancashire, Cheshire e Gloucestershire. Em 1961/62, no Reino
Unido, 45.509 vacas Shorthorn Leiteiras registradas produziram em média
3.712Kg de leite com 3,59% de gordura.
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