PITANGUEIRAS

 

ENCICLOPÉDIA

Estado de São Paulo já dispõe de um novo tipo de gado leiteiro, tropical, que leva a apreciável vantagem de dar novilhos de fácil engorda e bom rendimento no corte. Essa raça em formação recebeu a denominação de "Pitangueiras", tomada no município paulista em que se localiza uma antiga fazenda da Companhia Frigorífico Anglo, onde se desenvolveram trabalhos zootécnicos de cruzamentos.
Na Fazenda Três Barras, da Anglo, pretendia-se obter gado leiteiro para exploração em regime de pasto, em região em que as pastagens são escassas e de baixo valor nutritivo na estação seca, como aliás ocorre em quase todo o Brasil Central, unindo o sangue do Bos taurus ao do Bos indicus. Naquela Fazenda, vacas "agiradas", que em boas condições de alimentação e manejo produziram apenas 3 quilos de leites diários, foram cruzadas com touros Red Poll puros de origem, procedentes do Rio Grande do Sul e da Argentina. Era o início de uma nova raça tropical leiteira: entretanto, os Autores do plano decidiram utilizar a raça Guzerá que já vinha sendo objeto de seleção genéticas com vistas a produção de leite. Nesse trabalho destacaram-se os técnicos Johan von Linde, Joseph Purgy e Norman P. Foster.

Esquema de trabalho:

Os trabalhos vêm se desenvolvendo desde1946, portanto há 28 anos. Há cerca de 18 anos os planos se concentravam no emprego de reprodutores da raça britânica e de touros Guzerá leiteiros de Cantagalo e Curvelo, sobre as melhores fêmeas mestiças leiteiras, dentro de rigoroso controle executado pela Antiga Associação Paulista de Criadores de Bovinos. O roteiro seguido, após a eliminação de vários erros, comprovados pela prática, foi o seguinte:

1.º cruzamento - Fêmea mestiça x Touro Red Poll, produzindo filhos meio-sangue Red Poll.
2.º cruzamento - Fêmea meio-sangue Red Poll x Touro Guzerá, produzindo filhos um quarto Red Poll 3.º cruzamento - Fêmea um quarto de sangue Red Poll x Touro Red Poll, produzindo filhos 5/8 Red
Poll (Pitangueiras I ).
4.º cruzamento - Fêmeas 5/8 Red Poll x Touro, ambos provenientes do 3.º cruzamento (Pitangueiras II).
5.º cruzamento e seguintes - Fêmeas 5/8 bi-mestiças X Touro 5/8 bi-mestiço (Pitangueiras III).

Quando a Fazenda Três Barras, em Pitangueiras, já dispunha de mais de uma centena de fêmeas bi-mestiças, passou a utilizar a mestiçagem seletiva, obtendo produtos de segunda, terceira e agora, quarta geração dentro do rebanho Pitangueiras propriamente dito. Evidentemente, não se deve usar a denominação da nova raça aos meros mestiços, isto é, aos produtos dos primeiros cruzamentos. "Pitangueiras" são exclusivamente os produtos bi-mestiços ou resultantes dos acasalamentos dos 5/8 com outros animais de mesmo grau de sangue.
A raça Pitangueiras, como variedade leiteira ou mista, é a que se encontra em estágio mais adiantado, em nosso país. A uniformidade do rebanho, todo ele vermelho e mocho, e os níveis de produção leiteira, revelaram a consolidação de um plano bem sucedido, devido à aplicação de técnica adequada, tendo em vista as peculiaridades do ambiente. Há bastante interesse para esse tipo de gado, de valor indiscutível, cuja propagação já teve início, tanto pela venda de reprodutores, como pela formação de pequenos plantéis em outras propriedades. E o Brasil, que deu aos países situados na faixa intertropical as raças zebuínas melhoradas, está produzindo um novo tipo de gado leiteiro tropical, capaz de também contribuir para o incremento da produção de carne.

Produção de Carne:

Como já dissemos, o bovino leiteiro deve ser também um bom produtor de carne. Essa é a tendência dos países mais adiantados, especialmente na Europa. Foi o reconhecimento dos problemas de adaptação das raças européias nos trópicos, a incapacidade produtiva do gado crioulo e a menor produtividade do Zebu comum, que levaram a Sociedade Anônima Frigorífico Anglo a buscar uma nova solução para a produção de leite e carne no Brasil. Como industriais da carne, interessava-lhe um gado que não fosse exclusivamente leiteiro, e daí a idéia de lançar mão do sistema de cruzamentos. Como resultado, os trabalhos seletivos foram conduzidos no sentido de se desenvolver, simultaneamente, qualidades de gado de corte no Pitangueiras. Os bezerros são de desenvolvimento rápido, beneficiando-se da aptidão leiteira das reprodutoras, que lhes proporciona alimentação adequada nos primeiros meses de vida, mesmo quando mantidos em regime de pasto, que é normal e o mais econômico em nosso meio. Novilhos de 33 meses, criados exclusivamente a campo, sem qualquer ração suplementar, dão em média 17 arrobas no corte, o que representa 500 quilos de peso vivo. Além de mais pesados do que os novilhos de corte mestiços, que constituem a quase totalidade do gado encaminhado aos frigoríficos, em relação à idade, dão maior rendimento e carne de melhor qualidade. Levados às Provas de Ganho de Peso, em Sertãozinho, alcançaram ganho médio diário de 1.300 gramas. Para fins de Registro, o regulamento estabeleceu uma tabela provisória de desenvolvimento ponderal, com pesos mínimos para várias idades:

PESOS MÍNIMOS(kg)
Idade
Machos
Fêmeas
15 meses
280
280
18 meses
320
300
21 meses
380
350
24 meses
450
380

Touros com 30 meses ou mais deverão pesar pelo menos 500 quilos, e na idade adulta vão de 700 a 800 quilos. As vacas, após a primeira cria, devem pesar mais de 450 quilos, aumentando com a idade, até alcançarem 500 a 600 kg.

Produção de Leite:
A capacidade lactífera do gado Pitangueiras tem se elevado de ano para ano, correspondendo plenamente às previsões dos planejadores da nova raça, ao mesmo tempo que cresce o rebanho original. A produção vem sendo controlada pelo Serviço de Controle Leiteiro, da Associação Brasileira de Criadores, desde o início dos trabalhos. É interessante observar que as médias de produção anual aumentaram, apesar de nos primeiros anos ter-se quadruplicado o número de lactações controladas.

Padrão Racial para Bovinos Pitangueiras:

Características do tipo

1 - Estatura - média; touros adultos com 1,45 - 1,50 m. de altura.
2 - Pêlos - Pelame - Cor e Pele - Pêlos curtos, lisos, finos brilhantes; pelame pouco espesso, bem assentado; cor uniforme vermelha, variando do vermelho claro ao escuro ou a caju; vassoura da cauda escura, mesclada ou branca; pele solta, pregueada, flexível e macia. São admissíveis animais com manchas brancas, na região ventral, bem como animais da cor "araçá", quando as estrias negras não forem muito acentuadas.

Caracteres morfológicos

1 - Desenvolvimento e peso - animais bem desenvolvidos, musculosos; peso de acordo com a tabela anexa.
2 - Cabeça - leve, de perfil retilíneo; fronte larga, ligeiramente achatada; chanfro reto; focinho largo com mucosa cremosa ou escura; preferencialmente mocha.
3 - Tronco - musculoso, cilíndrico, de comprimento médio; costelas arqueadas, bem afastadas; dorso e lombo largos, horizontais, tórax amplo e profundo; ventre bem desenvolvido.
4 - Garupa - larga, longa, horizontal, sacro pouco saliente, bom afastamento entre os ísquios.
5 - Cauda - bem inserida, longa, achatada na base; vassoura bem recoberta de pêlos.
6 - Quartos - membros de comprimento médio, bem afastados, com bons aprumos; paletas inseridas, com boa cobertura muscular; quarto posterior bem coberto de músculos; jarretes fortes, mas não grosseiros, cascos de tamanho médio, bem conformados.