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Na região da Europa em que
se situam os Países Baixos, encontravam-se bovinos domesticados há mais
de dois mil anos. Estudos da história antiga revelaram que a pecuária
constituiu sempre uma importante atividade na vida do povo holandês, desde
o século 13. Antes da segunda metade do século dezenove, o gado dos Países
Baixos não estava diferenciado em raças. A heterogeneidade da população
bovina era conseqüência dos cruzamentos entre bovinos de diversas regiões
ou importados da Alemanha e Dinamarca para cobrir as perdas resultantes
de calamidades, como inundações e invasões do mar, antes da construção
de diques. Começaram então os trabalhos de formação de raças mais definidas,
cujo potencial leiteiro viria permitir volumosas exportações para a Inglaterra,
Europa Continental e Américas.
Habitat:
A raça Holandesa domina extensa área junto ao mar do Norte, abrangendo
Holanda, Bélgica e norte da Alemanha. Inicialmente, em algumas províncias
holandesas existiam diferenças acentuadas entre os seus bovinos, tanto
quanto ao tipo, como em relação à pelagem, motivo pelo qual a Sociedade
do Livro Genealógico dos Países Baixos abriu registros para três raças,
com características próprias de coloração da pelagem: a raça Frísia holandesa
branca e negra, com uma seção para os animais vermelho e branco; a raça
Vermelha e Branca da região entre os rios Mosa, Reno e Ijssel (MRIJ);
e a raça Groningue, de cabeça branca. Desde então teve prosseguimento
a seleção intensiva dentro de cada raça, sem mais cruzamentos para o gado
de produção. Como se deduz à região, é baixa, em parte situada abaixo
do nível do mar e foi conquistada por um trabalho secular, através da
construção de diques e aterros, além de canais de drenagem. Apenas 2 por
cento do território da Holanda alcança mais de 50 metros de altitude e
seu ponto cuminante está a 323 metros acima do nível do mar. A região
goza de clima suave e marítimo, próprio da Europa norte-ocidental e as
nevadas são pouco freqüentes. Os ventos dominantes, vindos do sudoeste,
carregam umidade do Atlântico e as chuvas são muito regulares; ocorrem
durante todo o ano, razão pela qual não se conhecem períodos da seca,
como em outras regiões. A precipitação média anual, entretanto, é moderada,
variando de 600 a 800 mm.
Características:
A raça Holandesa ou Frísia apresenta pelagem branca e preta, com cores
bem separadas em zonas marcadas. A cor preta se mostra tipicamente distribuída
pela cabeça e espáduas, porção central do corpo e quartos traseiros. A
cor branca aparece nos dois lados do terço médio do corpo, uma por trás
das paletas e outra na frente das cadeiras, e também no abdômen, parte
inferior das patas, base da cauda e como "estrela", na fronte.
A pigmentação da pele segue a do pêlo, isto é, nas malhas brancas, a pele
é clara ou rósea, sendo escura nas partes manchadas de preto. Por esse
motivo, criadores nas regiões tropicais preferem os exemplares de pelagem
predominantemente escura. No que tange à pelagem, é mister lembrar a existência
da variedade vermelha, em quase tudo semelhante à variedade preta e branca,
e que não deve ser confundida com as outras raças européias malhadas de
vermelho. A cabeça apresenta perfil subconcavilíneo, com a fronte côncava,
olhos salientes. É comprida e estreita na fêmea e de tamanho médio no
macho. Os chifres são finos saindo um pouco para trás, encurvando-se para
frente, para baixo e para dentro. Pescoço é longo e fino, com o bordo
superior côncavo; o macho tem pescoço bem musculoso, formando cangote
acentuado. Focinho com o espelho nasal de coloração negra. O peito é profundo;
as costelas bastante arqueadas dão lugar ao abdômen desenvolvido e de
grande capacidade. A gordura é larga, bastante horizontal e a largura
entre a ponta das nádegas é ligeiramente inferior à distância entre os
jarretes. A ossatura é bastante forte. O corpo é volumoso, tipicamente
leiteiro, na forma clássica de cunha; espáduas salientes; dorso comprido
e cortante; cauda fina e bem inserida. Membros altos; nádegas retas, são
muito musculosas, mais curtas e arredondadas nos touros. O úbere é de
grande capacidade nas vacas com elevada produção, mas nas vacas velhas
pode mostrar certos defeitos como insuficiente ligamento ao corpo, desenvolvimento
inadequado dos tetos dianteiros em relação aos traseiros, dando o chamado
úbere caído, podendo os tetos serem demasiadamente grandes. O gado holandês
é notavelmente uniforme quanto à pelagem e conformação. São animais bem
musculados e apresentam um contorno harmonioso.
Produtividade:
As novilhas dão sua primeira cria por volta dos dois anos de idade.
Ocasionalmente pode haver fecundação de bezerros, o que deve ser evitado
face aos prejuízos ao seu desenvolvimento físico causados pelo aleitamento
precoce. Nos rebanhos mantidos a campo, a primeira parição é retardada
para os 30 meses, ou ainda mais tarde, dependendo do sistema de manejo.
Os bezerros nascem com 38 quilos em média, e as fêmeas com 34 Kg. Todavia,
há muita variação em vista da diferença de condições de criação e alimentação.
Produção de Leite :
A raça holandesa é universalmente conhecida
como a maior produtora de leite, dentro da espécie bovina. Um estudo publicado
pelo serviço central de controle leiteiro, com dados referentes ao ano
de 1960, citado por FRENH(32), nos fornece elementos valiosos para a avaliação
da raça originária da Frísia. Naquele ano,600.805 vacas submetidas a controle,
produziam 4.442 quilos de leite, com 3,91% de gordura; um grupo de vacas
de melhor qualidade, da Holanda setentrional, formado de 947 exemplares
deu produção média de 5.284 quilos com 3.98% de gordura.
Produção de Carne:
Contrariamente ao pensamento geral, o gado
Holandês não deve ser considerado uma raça exclusivamente leiteira, apesar
de ter sido essa função econômica desenvolvida ao extremo. Embora as recordistas
mundiais na produção leiteira sejam sempre representantes da raça Malhada
de Preto, a velocidade de crescimento, o desenvolvimento do esqueleto
e das massas musculares e, sobretudo, a capacidade de conversão de alimentos,
são fatores muito favoráveis a essa raça, com relação à produção de carne.
O valor da produção bovina nos Países Baixos representa cerca de 40 por
cento da produção agrícola, sendo 25 por cento para o leite e 15 por cento
para a carne. O gado Frísio, e de modo especial as novilhas e vacas novas,
respondem muito bem ao processo de engorda no confinamento. A qualidade
da carcaça é boa, devido ao desenvolvimento da massa muscular e pela escassa
cobertura de tecido adiposo. Utilizam-se para o corte mais tourinhos jovens
do que propriamente novilhos, sendo dispensada a castração, face à idade
reduzida em que são encaminhados para os centros de matança. Na Inglaterra,
na atualidade, utilizam-se muitos touros Frísio na padreação de fêmeas
de raças especializadas na produção de carne, dando mestiços bons produtores
de leite e possuidores de carne sem o excesso de gordura característicos
das raças britânicas. Outras vantagens da raça e seus mestiços: são dóceis,
mansos, e já estão habituados ou acostumam-se facilmente a se alimentar
no cocho.
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