BRANGUS

 

ENCICLOPÉDIA

INTRODUÇÃO À RAÇA BRANGUS E SEU USO NO BRASIL CENTRAL

Roberto A. Maciel

De todas as armas de que dispõe o pecuarista na atualidade, são as técnicas de cruzamento industrial as mais rápidas e econômicas para o aumento da produtividade e do lucro do criador. O criador, ai optar pelo cruzamento deve definir um plano, determinado objetivo à médio e longo prazo. A escolha da raça a ser introduzida é uma decisão muito importante, uma vez que o objetivo é combinar a adaptação e rusticidade dos rebanhos zebuínos que hoje compõe a quase totalidade das matrizes no Brasil Central com a especialização e produtividade de animais de origem européia produtores de carne. O criador ao planejar o cruzamento deve balancear as características reprodutivas e produtivas, tendo em mente que sem adaptação não há produção. Para que esta escolha seja feita de maneira correta, deve-se levar em conta as seguintes características:

A. Reprodutivas

- Fertilidade / Intervalo entre partos

- Peso adulto da matriz / Necessidade de manutenção

- Peso ao nascer / Facilidade de parto

- Habilidade materna / Taxa de desmame

- Produção de leite / Peso do bezerro ao desmame

- Precocidade / Idade ao primeiro parto

- Longevidade / Vida útil da matriz

B.Produtivas

- Precocidade / Rapidez de terminação da carcaça

- Conversão alimentar / Eficiência em confinamento

- Rendimento de carcaça / Relação Músculo: Osso: Gordura

- Qualidade do produto final / Marmorização / Sabor, Maciez e Textura

Das várias raças atualmente envolvidas nos programas de cruzamento no Brasil Central, a que tem apresentado maior potencial na fixação e melhoria destas características reprodutivas é, sem dúvida, o BRANGUS.

I) Definição e Histórico:

O Brangus é uma raça sintética, um bimestiço, formado por 5/8 ou 62.5% de sangue de Aberdeen Angus e 3/8 ou 37.5% de sangue zebu. Todas as raças sintéticas tiveram sua formação neste século. Especificamente nos EUA, as raças Angus e Brahman começaram a ser cruzadas na louisiana a partir de 1912, originando o programa Brangus, que finalmente em 1949, com a fundação da associação de criadores, foi reconhecida como raça definida pelo governo americano. No Brasil, trabalho similar de cruzamento, utilizando as raças Angus e Nelore, foi desenvolvido por técnicos do Ministério da Agricultura em Bagé, em fase experimental à partir de 1940. Ao definir-se como Brangus um animal com 5/8 de sangue Angus e 3/8 de sangue Zebu, procura-se a interação entre a rusticidade, tolerância ao calor, fertilidade, longevidade e resistência a infestações de ectoparasitas do Zebu, com a fertilidade, habilidade materna, precocidade e excelentes qualidades de carcaça e carne do Angus.

II) Raças Formadoras:

Dentre todas as possibilidades de cruzamento industrial no Brasil Central temos sempre uma condição básica: a base de matrizes Zebu, principalmente a raça Nelore. A escolha a ser feita é a da raça européia a ser introduzida. As raças européias de corte não são comuns à maioria dos rebanhos do Brasil Central e é importante classificar o A . Angus entre as diversas raças usadas atualmente para cruzamento industrial no Brasil Central.

Classificação: temos dois grupos geograficamente divididos.

A.Raças Britânicas:

Aberdeen Angus

Hereford

Shorthorn

B.Raças Continentais:

Chianina / Marchigiana

Charolês / Limousin

Simental / Gelbvieh

O Aberdeen Angus:

A raça da vaca-mãe, o negro mocho, sinônimo da mais apreciada e saborosa carne do mundo, o Angus é originário da Escócia, onde no fim do século XVIII o Sr. Hugh Watson iniciou a seleção destes animais procurando fixar um tipo definido para obter especificamente animais para engorda.

Principais características da raça:

Clássico biotipo de raça produtora de carne. Animais volumosos, compridos, de boa profundidade, costelas bem arqueadas e separadas, dorso e lombo amplos e compridos com boa cobertura de carne. Linhas superiores e laterais retas, linha baixa reta, limpa, sem excesso de peito e pele. Posteriores muito amplos, de contornos alongados, com musculatura bem firme. Pele de espessura fina a média, fortemente pigmentada, com capa de pêlos finos, curtos e brilhantes. Nas fêmeas, além das características acima, deve-se observar o bom desenvolvimento e amplitude dos ossos coxais e sacro, o bom desenvolvimento do úbere e tetas, expressão feminina, denotando características próprias de uma boa mãe, marca registrada da raça Angus. A tabela seguinte, cedida pela Better Beef Busines - EUA, foi desenvolvida através de um volume realmente grande de informações e compara características econômicas das raças mais usadas no cruzamento industrial, sintetizando as aptidões e diferênças existentes enttre elas.

Características P/uso em crusamento

Raça

A

B

C

D

E

F

G

H

I

Angus

1,75

1,75

Peq.

1,75

440

2,50

+

-

+

Suíço

3,75

3,00

Gde.

2,75

540

2,50

+

+

+

Charoles

3,50

3,50

Gde.

3,25

562

1,00

-

+

-

Chianina

3,00

3,00

Gde.

3,25

613

1,25

-

+

-

Limousin

2,75

2,25

Med.

2,50

505

1,50

-

+

+

Red poll

2,50

2,50

Med.

2,25

454

3,25

+

-

+

S. Gertudes

1,75

4,50

Med.

2,25

507

2,25

+

+

+

Simental

3,00

2,25

Gde.

2,25

551

1,50

+

+

+

Brangus

1,25

1,25*

Med

2,00

469

2,75

+

-

+

Obs: Os índice quanto mais próximo de 1,00 , indicam maior eficiência.

( * ) Adaptado à formação da raça com base zebuina de Nerole

Coluna Descrição da Característica

A Eficiência em condições manejo

B Fertilidade

C Tamanho do bezerro ao nascer

D Capacidade Materna

E Peso ótimo para Abate

F Musculatura

para uso em cruzamento

G Maternal

H Terminal

I Rotacional

O Nelore

É muito fácil falar sobre o Nelore dentro do contexto de cruzamento industrial. Foi introduzida na Brasil em fins do século passado e logo tornou-se a mais importante e populosa raça no país. Isto deu-se às admiráveis qualidades reprodutivas, rusticidade e adaptação ao clima e sistema de criação básico do Brasil Central. É a verdadeira raça nacional, devendo ser a base de qualquer programa de cruzamento industrial. Porém outras raças zebuínas como o Brahman, o Guzerá e o Tabapuã podem e devem ser usadas na formação e desenvolvimento do Brangus, com o intuito de se manter o máximo de vigor de heterose, aproveitando-se uma base racial mais adequada para cada caso.

Conclusão: Em resumo podemos dizer que o Brangus é a união da raça européia mais especializada e eficiente para o propósito específico de produção de carne de alta qualidade com a raça zebuína mais adaptada às condições naturais do Brasil Central. O mais importante é que Angus e Nelore são raças extremamente complementares, que podem ser combinadas de diversas maneiras, como veremos a seguir:

III) Métodos de cruzamento para a formação do Brangus no Brasil Central:

Existem vários métodos de cruzamento para obtenção do Brangus (5/8 : 3/8), porém os mais viáveis e práticos para o Brasil Central são; o tradicional, a absorção de ½ sangue por Brangus e o cruzamento absorvente.

a) Tradicional:

Dentre os diversos modelos de cruzamento para obtenção de um mestiço 5/8 : 3/8, foi o que apresentou os melhores resultados nos diversos programas de pesquisa e desenvolvimento de raças sintéticas.

TOURO

VACA

PRODUTO

GERAÇÃO

A .Angus

Zebu

½ Zebu Brangus 12B

F1

Zebu

Brangus 12B

¾ Zebu Brangus 34B

F2

A .Angus

Brangus 34B

3/8 Zebu 38P

F3

 

Vantagens:

Uso de touros de raça pura

Vacas F2 e F3 com alta heterose

Alta heterose em todo processo de formação

O criador trabalha com genética de sua escolha nas raças puras.

Desvantagens:

Necessidade de touro / sêmem (IA) puro sangue europeu. O touro tem problemas de adaptação que se expressam pela baixa fecundidade, sendo inviável seu uso em larga escala no Brasil Central.

b) Absorção de ½ sangue por Brangus:

É uma grande alternativa para quem pode produzir fêmeas ½ sangue (Brangus 12B) via I.A . ou que adquiriu um lote, mas não quer complicar o manejo com lotes de touros e vacas de raças e graus de sangue diferentes dentro da fazenda.

TOURO

VACA

PRODUTO

GERAÇÃO

Brangus 38P

Brangus 12.B

7/16 Zebu Brangus 38B

F1

Brangus 38P

Brangus 38B

Brangus 38P

F2

Vantagens:

Maior rapidez para quem quer formar rebanho de plantel (Brangus 38)

Simplicidade no controle de acasalamento, só touros Brangus 38

Boa heterose das vacas no processo de formação.

Desvantagens:

Aquisição ou produção de fêmeas Brangus 12B, difícil em larga escala

Necessidade de melhores condições de manejo e nutrição, pois se trabalha com animais com mais de 505 de sangue europeu em todo o rebanho.

c) Absorvente:

Simples introdução de touros Brangus 38 no rebanho de cria básico e nas gerações sucessivas.

TOURO

VACA

PRODUTO

GERAÇÃO

Brangus 38

Zebu

X1 (68,75 % Zebu)

F1

Brangus 38

X1

X2 (53,13% Zebu

F2

Brangus 38

X2

X3 (45,31%Zebu)

F3

Brangus 38

X3

X 38 (41,40%Zebu)

F4

Brangus 38

X38

Brangus 38 P

F5

Vantagens:

Simplicidade operacional

Possibilidade de uso em larga escala no Brasil Central

Introdução lenta do sangue europeu no plantel de cria com adequação gradual do manejo e nutrição

Desvantagens:

Menor heterose no processo de formação.

Esses métodos de cruzamento necessitam de, no mínimo, três gerações para atingir o grau de sangue definitivo da raça. Na prática, isto é muito positivo para o criador, que tem a oportunidade de avaliar, nas condições especificas de sua propriedade, clima e manejo, o desempenho de animais com graus de sangue intermediários, podendo optar pelo genótipo mais funcional para o seu caso.

IMPORTANTE ! ! !

Não ultrapassar 5/8 (62,5%) de sangue europeu nas explorações extensivas do Brasil Central.

IV) O Brangus no Brasil Central:

Dados estatísticos

Seleção e Evolução como Raça

Em programa de Cruzamento Industrial

Características econômicas ligadas à reprodução

Características econômicas ligadas à produção.

a) Dados Estatísticos:

Como podemos ver no quadro abaixo, são poucos os dados estatístico referentes à raça Brangus. Na verdade, até o final da década de 80, o Brangus vinha sendo experimentado em cruzamentos em uma escala bem pequena no Brasil Central, havia dificuldade em se adquirir touros. Era quase necessidade obrigatória passar algum tempo região dos pampas gaúchos, entre Bagé e Uruguaiana, para se encontrar e selecionar uma boa quantidade de touros. Os rebanhos de plantel também só foram surgindo de 1.989 para cá. Matrizes e embriões congelados oriundos da fronteira do R.G. do Sul, Argentina e EUA fundaram os primeiros plantéis de cabanha do Brasil Central. Os núcleos mais importantes estão em São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Ano

Número de Associado

Estado

Número de Registro

Total de Registro

Dose de semem

1.985

84

RS , SP

-
-- 
-
1.982/90
-
-

2.057/ano

-
-
1.991
-
-

3.995

-

17.177

-
-

RS, SP, MG

-
-
-
1.992

177

MS, GO, MT

4.432

30.479

-
-
-

MA e PA

-
-
-

b) Seleção e Evolução como Raça:

O Brangus como raça sintética, tem maior vigor da heterose uma arma importante na evolução dos seus índices de produção. Para que a raça se mantenha forte, vigorosa e em constante desenvolvimento, é necessário mais do que selecionar e avançar em gerações. É necessário estar sempre produzindo novas linhagens e partir das raças formadoras; famílias que quando cruzadas entre si estarão produzindo indivíduos com o máximo de vigor híbrido entre o que há de melhor nas raças formadoras e ou nas gerações avançadas. Para exemplificar, podemos citar o que se viu na mais importante exposição da raça nos EUA - Houston / 93:

Apesar dos altos índice de produção alcançados por animais de gerações avançadas, a maioria dos campeonato de categoria foi vencida por filhos de um touro de primeira geração (Brangus 34B x A .Angus) em vacas de gerações avançadas e o grande campeonato de machos, foi ganho por um júnior (19 meses )de primeira geração (Brangus 34B x A .Angus).

O conhecimento e consciência da importância deste procedimento vai diferenciar a velocidade e nível de evolução da raça Brangus em comparação aos outros programas de desenvolvimento de raças bimestiças. O livro de registro da raça é aberto e aberto deve continuar enquanto houver interesse em mante-la em evolução. O criador de plantel ou cabanheiro tem a missão de realizar este trabalho. A perfeita identificação dos animais, o controle de atividades, as medidas dos índices reprodutivos e produtivos do rebanho, também são obrigatórios para quem decidir selecionar a raça Brangus. Finalizando, é importante lembrar que o trabalho de seleção de raça não pode ser feito a curto prazo, necessitando de boa orientação, bom acompanhamento, persistência, competência e, acima de tudo, paixão.

c) Em programa de cruzamento industrial:

O uso do Brangus em programa de cruzamento no Brasil Central é simples. Ao criador cabe, simplesmente, adquirir touros de boa qualidade, observando:

  • Aspectos morfológicos (prepúcio, aprumos , etc.);
  • Características sexuais(masculinidade, testículos, etc.)
  • Dados de produtividade que tenham alta herdabilidade.(ganho de peso pós desmame - 45 a 60% de herdabilidade)

A aclimatação dos animais é rápida e a única distinção em relação aos touros zebuínos é o maior cuidado no controle dos parasitos internos (vermes) e externos (berne e carrapato). Um dos grandes ganhos que o cruzamento com o Brangus traz é o encurtamento do ciclo de reprodução. Podemos dizer que, na média, em regime extensivo, o criador ganha um ano no início da vida reprodutiva das novilhas - aos 320 Kg. - e idade de abate dos machos - aos 480 Kg. Em relação ao que vinha sendo conseguido com os puros zebuínos.

Porém as maiores vantagens aparecem quando as matrizes cruza Brangus entra em reprodução, são as características maternais que definem o acerto de se escolher o Brangus como raça cruzante para o Brasil Central.

Na seqüência, serão apresentados dados e índice reprodutivos e produtivos observados em programas comercial e de cabanha nos últimos 3,5 anos.

d) Características Econômicas ligadas à Reprodução:

  • Fertilidade
  • Idade ao primeiro parto
  • Intervalo entre Partos
  • Partos.

    1) Fertilidade:

    A fertilidade é uma característica do tipo ser ou não ser. O que é válido é o grau de fecundidade dos indivíduos. A maioria dos trabalhos de pesquisa indica que a herdabilidade da fecundidade é muito baixa, sendo que a heterose e a melhoria das condições de criação provocam aumento significativo desta característica. A fertilidade, como a fecundidade, são da maior importância para o sucesso econômico da atividade, bem como afetam diretamente a pressão de seleção, já que determinam o número de animais que existirá na próxima geração. A seleção natural atua contra os indivíduos de baixa fecundidade.

Índice de prenhez - Serviço por Inseminação Artificial ( * ) - Prenhez por Raça

Raça da vaca

No. Animais I.A

No. Animais P

No. Animais N

Brangus 12B

89

83 (93,3%)

06 (6,7%)

Brangus 34B

22

21 (95,5%)

01 (4,5%)

Brangus 38

151

131 (86,8 %)

20 (13,2%)

A .Angus

57

43 (75,4%)

14 (24,6%)

TOTAL

319

278 (87,2 %)

41 (12,8 %)

 

Prenhez por Estação de Monta (*)

Estação

No. Animais I.A

No Animais P

No Animais N

Outono

(20/05 à 20/07)

77

65 ( 84,4 %)

12 (15,6%)

Primavera

(20/10 à 20/01)

242

213 (88,0 %)

29 (12,0 %)

TOTAL

319

278 (87,2 %)

41 (12,8 %)

 

Índice de Prenhez - Serviço por Monta Natural ( * )
Vacas Brangus 12B à 38P - Touro Brangus 38P

 

Tipo do Entoure

Período

% de Prenhez

Múltiplo

181 vacas paridas/06 lotes

80 dias

20/10/92 à 10/01/93

75,0 %

Individual

127 vacas paridas/04 lotes

80 dias

(20/10/92 à 10/01/93

90,0 %

TOTAL

80 DIAS

81,0 %

308 vacas paridas/10 touros (30,8 vacas / touros)
Índice de Prenhez  - Serviço por I.A . (c/ Repasse de touro) ( * )
( dados coletados de 10/90 à 01/93)

Estação

No. Animais I.A

No Animais P

No. Animais N

Outono

(só I.A por 45 dias)

744

550 (73,9 %)

194 (26, 1 %)

Primavera

( I.A por 45 dias e repasse por 35 dias

944

739 (78,3 % )

+

57 ( 84,3 %)

148 (21,7 %)

91 ( 15,7 %)

TOTAL

1.688

1.346 (79,7 %)

342 ( 20,3 %)

 

2) Idade ao primeiro Parto:

Como diz respeito à precocidade e maturidade sexual, a idade ao primeiro parto é característica muito importante na avaliação zootécnica e econômica da exploração dos bovinos de corte. A maior idade ao primeiro parto tem influências negativas na eficiência reprodutiva do rebanho, piorando os resultados econômicos da exploração. A diminuição da idade ao primeiro parto traz como vantagens a redução do intervalo entre gerações, vida produtiva da vaca mais longa e maior intensidade de seleção de fêmeas. Como exemplo, admitindo-se que, na média, uma vaca de cria permanece no rebanho reprodutivo até os 8 anos de idade produzindo 5 possíveis bezerros, uma vaca com menor idade ao primeiro parto terá condições de produzir, até os 8 anos, um produto a mais, ou 20% de aumento de produtividade.

Idade à Primeira Cria 
Valores Médio - Regime Extensivo - Goiás ( * )

Nascimento Médio

Desmama Média

Entoure de Outono

Idade à 1a. Cria

Outono

(15/10)

15/10

7,5 meses/170 Kg.

20/05

26,5 meses/ 320 Kg

01 / 04 36,0 meses

Primavera

(15/10)

15/05 7,0 meses / 200 Kg

20/05 19,0 meses / 320 Kg

01/04 28,5 meses

 

3.Intervalos entre Partos:

O intervalo entre partos afeta diretamente a eficiência reprodutiva do plantel e, conseqüentemente, a rentabilidade da exploração. É influenciado pelo genótipo dos animais, pelo mês e ano do parto e pela idade dos animais. O ideal é obter-se um bezerro por ano (Intervalo de 10 a 14 meses).

Intervalo entre Partos - vacas A.Angus e vacas Brangus 12B/38

VACAS PARIDAS

Nº DE PARTOS

I.E.P MÉDIO

Vacas c/ 02 Partos

96

13,94 meses

Vacas c/ 03 Partos

24

13,99 meses

TOTAL

120

13,95 meses

 

4) Parição:

Ao analisarmos esta característica devemos lembrar que o peso do bezerro ao nascer, apesar de estar associado positivamente aos seus pesos nas idades adultas, está mais intimamente ligado aos problemas na parição. Partos distócicos causam grande perda ao sistema de criação, não só pela morte de bezerros como também pelos traumatismos causados nas novilhas e vacas. Assim sendo, a seleção deve caminhar no sentido de evitar bezerros com o peso ao nascer muito elevado. Para isso, a primeira media da ser tomada é não acasalar, principalmente novilhas, com touros de raças que apresentam porte grande. O peso ao nascer de bezerros filhos de touros A . Angus e Brangus não difere significativamente daqueles de touros Nelore, ficando entre 27 e 32 Kg. Problemas de parição são praticamente inexistentes.

Problema de Parto de Acordo com a Raça dos Touros (em vacas )

Raça de Touros

No Bezerro

% Parto Distórcicos

A. Angus

666

0,45

Charoles

297

5,05

Chianina

155

3,87

Brown Swiss

51

9,80

Fleck vieh

152

1,98

Limousin

104

2,38

 

Problemas de Parto de Acordo com a Raça dos Touros (em Novilhas)
Partos distócicos

Raça do Touro

No Bezerro

Bezerros Vivos - %

Bezerros Mortos - %

Total - %

A.Angus

39

ZX-
-
-

Holstein

24

8,3

8,3

16,6

Chianina

11

9,1

9,1

18,2

Fleckwieh

43

2,3

7,0

9,3

 

e) Características Econômicas ligadas à Reprodução:

  1. Peso à Desmama

  2. Pesos ao Ano e Sobreano

  3. Ganho de Peso em Confinamento

 

  1. Peso à Desmama:

O peso a desmama é muito importante quando a intenção é produzir novilhos precoces. A herdabilidade desta característica é baixa, havendo muita influência de fatores do meio ambiente e o efeito da influência da mãe é o principal. O peso a desmama indica a produção de leite da vaca, sua habilidade em criar bezerros (habilidade materna) e, em menor escala, as diferenças nas capacidades de desenvolvimento dos bezerros. Portanto o peso do bezerro à desmama serve, basicamente, para a seleção de vacas. Ao se comparar os pesos dos bezerros à desmama com fins de seleção, deve-se corrigir alguns fatores. O principal deles é a padronização à idade da desmama para que possam ser comparados.

A fórmula usada para a padronização de idade na desmama é:

PA205 = [((PD-PN)/ID) x 205] + PN onde,

PA205 = Peso ajustado para 205 dias

PD = Peso do bezerro à desmama

PN = Peso do bezerro ao nascer

ID = Idade do bezerro à desmama

PA 205 - Bezerros criados à Campo
Nascimento - 1.991 e 1.992

Estação de Nascimento

Sexo

No. De Animais

PA 205 Médio

G.P.D Médio

Outono

M

F

16

19

212,6 Kg

172,1 Kg

1,037 Kg

0,840 Kg

Primavera

M

F

42

54

232,7 Kg

206,0 Kg

1,135 Kg

1,005 Kg

 

 

PA 205 - Bezerros criados em Cabanha Nascimento - 1.991 e 1.992

Estação de nascimento

Sexo

No. De Animais

PA 205 Médio

G.P.D Médio

Outono

M

F

05

08

301,0 Kg

241,5 Kg

1,465 Kg

1,178 Kg

Primavera

M

F

05

05

292,1 Kg

257,4 Kg

1,425 Kg

1,256 Kg

 

Peso à desmama - Idade média de 210 dias (7 meses ), criados à Campo
Nascimento da Primavera de 1.991 e 1.992

Sexo

No de animais

Peso vivo Médio

Machos

Femeas

555

505

213,86 Kg

198,76 Kg

TOTAL

1.060

206,67 Kg

Obs: Os bezerros nascidos no outono apresentam peso a desmama de 15 à 20 % menores do que aqueles nascidos na primavera.

 

  1. Peso ao Ano e ao Sobreano:

Após ao desmame, o bezerro sem a proteção materna deve, usando de seus próprios meios, lutar pelos recursos necessários para o seu desenvolvimento. Nesta fase as idades de interesse para a avaliação e melhoramento do rebanho são aos 365 dias e 550 dias. Isto porque os ganhos de peso nessas idades estão fortemente correlacionados com a influência do ganho. A herdabilidade do ganho de peso nesses períodos é alta (40 / 60%). O peso do novilho nestas idades indica o mérito genético do próprio indivíduo, além de avaliar a capacidade de ganho transmitida pelos pais, servindo portanto, para a seleção dos touros.

PA 365 e PA 550 - Novilha criadas à Campo - Nascimento de 1.991

Estação de Nascimento

No. De Animais

PA 365

G.P.D.

PA 550

G.P.D.

Outono

15

258, 14 Kg

0,707 Kg

317,52 Kg

0,577 Kg

Primavera

26

263,34 Kg

0,721 Kg

366,04 Kg

0,666 Kg

TOTAIS

41

261,44 Kg

0,716 Kg

348,29 Kg

0,633 Kg

 

  1. Ganho de peso em confinamento:

Dois fatores tem levado ao intencificamento do regime de engorda de bois nos centros mais desenvolvidos, onde está concentrado grande parte do mercado consumidor. O elevado valor das terras e a presença de agro-industriais que fornecem subprodutos interessantes para a alimentação de bois em engorda. Especificamente na nossa macro- região, a indútria sucro-alcooleira em primeiro lugar e a indústria cítrica, em menor escala são enormes fontes desses subprodutos. A necessidade de animais especializados, com altos ganhos de peso, característica que é intimamente associada à eficiência do ganho (boa conversão de alimentos), é enorme, uma vez que a maioria dos bois confinados são cruzados de raças leiteiras ou puros zebuínos. A oferta de garrotes cruza Brangus vem suprir essa necessidade, proporcionando aos confinadores a oportunidade de experimentar a especialização e "aptidão para o cocho" transmitidas pelo Angus.

 

Garrotes Brangus - cruza com vários graus de sangue
Ração com base de subprodutos de cana - NDT=70% e PB = 12%

Curral no.

Cab. No.

P.V. inicial

Idade média

P.V. final

Período (dias)

G.P.D médio

1

80

373,4

22,0

485,8

55

2,043

2

95

314,1

20,0

477,9

132

1,307

3

80

271,6

18,0

454,3

139

1,314

TOTAL

255

319,4

20,0

470,3

110

1,372

 

V) Finalização:

A história da bovinocultura de corte no Brasil tem início cpom a vinda dos colonisadores, que trouxeram em seus navios animais predominantemente taurinos que aqui iriam auxiliar nos trabalhos e transporte agrícola além de proporcionar alimentos para o consumo humano. Com isso foi-se formando o gado crioulo nacional, que ao longo de três séculos deu origem a um rebanho adaptado, porém com índice de produção terrivelmente baixos.

A entrada do Zebu no fim do século passado provocou uma grande melhoria na produtividade da bovinocultura nacional. A adaptação natural e imediata e os bons resultados do cruzamento de reprodutores zebuinos com as matrizes crioulas provocaram o rápido aumento e domínio do gado indiano nos rebanhos do Brasil Central. Já neste século o papel mais importante coube á raça Nelore, que ajuda por importações bem sucedidas tornou-se a raça zebuina mais importante e populosa no Brasil Central.

O grande crescimento populacional, a melhoria nas condições de criação e a necessidade de se exportar para mercados mais exigentes, provocaram um necessidade imediata de aumento de produtividade e especialização da bovinocultura nacional . O caminho mais rápido era o cruzamento com raças européias especializadas na produção de carne. Porém as primeiras tentativas, já na metade do século atual, não foram bem sucedidas, A escolhas de raças européias continentais puras para o cruzamento com nossas matrizes aneloradas, provocou perda de tempo, dinheiro e desconfianças em técnicos e criadores,

O presente trabalho de introdução ao uso da raça Brangus no Brasil Central uma proposta funcional, técnica, baseada, acima de tudo, na complementação da raça Nelore, na valorização das características de adaptação, precocidade e eficiência, principalmente ligadas aos aspectos maternais da exploração.

Esperamos, com isso, despertar o interesse de técnico e criadores para a raça Brangus que certamente, nos próximo anos, vai se provocar mais que adequada á permanecer nos planteis de cria do Brasil Central.