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BRANGUS
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INTRODUÇÃO À RAÇA BRANGUS E SEU USO NO BRASIL CENTRAL Roberto A. Maciel De todas as armas de que dispõe o pecuarista na atualidade, são as técnicas de cruzamento industrial as mais rápidas e econômicas para o aumento da produtividade e do lucro do criador. O criador, ai optar pelo cruzamento deve definir um plano, determinado objetivo à médio e longo prazo. A escolha da raça a ser introduzida é uma decisão muito importante, uma vez que o objetivo é combinar a adaptação e rusticidade dos rebanhos zebuínos que hoje compõe a quase totalidade das matrizes no Brasil Central com a especialização e produtividade de animais de origem européia produtores de carne. O criador ao planejar o cruzamento deve balancear as características reprodutivas e produtivas, tendo em mente que sem adaptação não há produção. Para que esta escolha seja feita de maneira correta, deve-se levar em conta as seguintes características: A. Reprodutivas - Fertilidade / Intervalo entre partos - Peso adulto da matriz / Necessidade de manutenção - Peso ao nascer / Facilidade de parto - Habilidade materna / Taxa de desmame - Produção de leite / Peso do bezerro ao desmame - Precocidade / Idade ao primeiro parto - Longevidade / Vida útil da matriz B.Produtivas - Precocidade / Rapidez de terminação da carcaça - Conversão alimentar / Eficiência em confinamento - Rendimento de carcaça / Relação Músculo: Osso: Gordura - Qualidade do produto final / Marmorização / Sabor, Maciez e Textura Das várias raças atualmente envolvidas nos programas de cruzamento no Brasil Central, a que tem apresentado maior potencial na fixação e melhoria destas características reprodutivas é, sem dúvida, o BRANGUS. I) Definição e Histórico: O Brangus é uma raça sintética, um bimestiço, formado por 5/8 ou 62.5% de sangue de Aberdeen Angus e 3/8 ou 37.5% de sangue zebu. Todas as raças sintéticas tiveram sua formação neste século. Especificamente nos EUA, as raças Angus e Brahman começaram a ser cruzadas na louisiana a partir de 1912, originando o programa Brangus, que finalmente em 1949, com a fundação da associação de criadores, foi reconhecida como raça definida pelo governo americano. No Brasil, trabalho similar de cruzamento, utilizando as raças Angus e Nelore, foi desenvolvido por técnicos do Ministério da Agricultura em Bagé, em fase experimental à partir de 1940. Ao definir-se como Brangus um animal com 5/8 de sangue Angus e 3/8 de sangue Zebu, procura-se a interação entre a rusticidade, tolerância ao calor, fertilidade, longevidade e resistência a infestações de ectoparasitas do Zebu, com a fertilidade, habilidade materna, precocidade e excelentes qualidades de carcaça e carne do Angus. II) Raças Formadoras: Dentre todas as possibilidades de cruzamento industrial no Brasil Central temos sempre uma condição básica: a base de matrizes Zebu, principalmente a raça Nelore. A escolha a ser feita é a da raça européia a ser introduzida. As raças européias de corte não são comuns à maioria dos rebanhos do Brasil Central e é importante classificar o A . Angus entre as diversas raças usadas atualmente para cruzamento industrial no Brasil Central. Classificação: temos dois grupos geograficamente divididos. A.Raças Britânicas: Aberdeen Angus Hereford Shorthorn B.Raças Continentais: Chianina / Marchigiana Charolês / Limousin Simental / Gelbvieh O Aberdeen Angus: A raça da vaca-mãe, o negro mocho, sinônimo da mais apreciada e saborosa carne do mundo, o Angus é originário da Escócia, onde no fim do século XVIII o Sr. Hugh Watson iniciou a seleção destes animais procurando fixar um tipo definido para obter especificamente animais para engorda. Principais características da raça: Clássico biotipo de raça produtora de carne. Animais volumosos, compridos, de boa profundidade, costelas bem arqueadas e separadas, dorso e lombo amplos e compridos com boa cobertura de carne. Linhas superiores e laterais retas, linha baixa reta, limpa, sem excesso de peito e pele. Posteriores muito amplos, de contornos alongados, com musculatura bem firme. Pele de espessura fina a média, fortemente pigmentada, com capa de pêlos finos, curtos e brilhantes. Nas fêmeas, além das características acima, deve-se observar o bom desenvolvimento e amplitude dos ossos coxais e sacro, o bom desenvolvimento do úbere e tetas, expressão feminina, denotando características próprias de uma boa mãe, marca registrada da raça Angus. A tabela seguinte, cedida pela Better Beef Busines - EUA, foi desenvolvida através de um volume realmente grande de informações e compara características econômicas das raças mais usadas no cruzamento industrial, sintetizando as aptidões e diferênças existentes enttre elas. Características P/uso em crusamento
Obs: Os índice quanto mais próximo de 1,00 , indicam maior eficiência. ( * ) Adaptado à formação da raça com base zebuina de Nerole Coluna Descrição da Característica A Eficiência em condições manejo B Fertilidade C Tamanho do bezerro ao nascer D Capacidade Materna E Peso ótimo para Abate F Musculatura para uso em cruzamento G Maternal H Terminal I Rotacional O Nelore É muito fácil falar sobre o Nelore dentro do contexto de cruzamento industrial. Foi introduzida na Brasil em fins do século passado e logo tornou-se a mais importante e populosa raça no país. Isto deu-se às admiráveis qualidades reprodutivas, rusticidade e adaptação ao clima e sistema de criação básico do Brasil Central. É a verdadeira raça nacional, devendo ser a base de qualquer programa de cruzamento industrial. Porém outras raças zebuínas como o Brahman, o Guzerá e o Tabapuã podem e devem ser usadas na formação e desenvolvimento do Brangus, com o intuito de se manter o máximo de vigor de heterose, aproveitando-se uma base racial mais adequada para cada caso. Conclusão: Em resumo podemos dizer que o Brangus é a união da raça européia mais especializada e eficiente para o propósito específico de produção de carne de alta qualidade com a raça zebuína mais adaptada às condições naturais do Brasil Central. O mais importante é que Angus e Nelore são raças extremamente complementares, que podem ser combinadas de diversas maneiras, como veremos a seguir: III) Métodos de cruzamento para a formação do Brangus no Brasil Central: Existem vários métodos de cruzamento para obtenção do Brangus (5/8 : 3/8), porém os mais viáveis e práticos para o Brasil Central são; o tradicional, a absorção de ½ sangue por Brangus e o cruzamento absorvente. a) Tradicional: Dentre os diversos modelos de cruzamento para obtenção de um mestiço 5/8 : 3/8, foi o que apresentou os melhores resultados nos diversos programas de pesquisa e desenvolvimento de raças sintéticas.
Vantagens: Uso de touros de raça pura Vacas F2 e F3 com alta heterose Alta heterose em todo processo de formação O criador trabalha com genética de sua escolha nas raças puras. Desvantagens: Necessidade de touro / sêmem (IA) puro sangue europeu. O touro tem problemas de adaptação que se expressam pela baixa fecundidade, sendo inviável seu uso em larga escala no Brasil Central. b) Absorção de ½ sangue por Brangus: É uma grande alternativa para quem pode produzir fêmeas ½ sangue (Brangus 12B) via I.A . ou que adquiriu um lote, mas não quer complicar o manejo com lotes de touros e vacas de raças e graus de sangue diferentes dentro da fazenda.
Vantagens: Maior rapidez para quem quer formar rebanho de plantel (Brangus 38) Simplicidade no controle de acasalamento, só touros Brangus 38 Boa heterose das vacas no processo de formação. Desvantagens: Aquisição ou produção de fêmeas Brangus 12B, difícil em larga escala Necessidade de melhores condições de manejo e nutrição, pois se trabalha com animais com mais de 505 de sangue europeu em todo o rebanho. c) Absorvente: Simples introdução de touros Brangus 38 no rebanho de cria básico e nas gerações sucessivas.
Vantagens: Simplicidade operacional Possibilidade de uso em larga escala no Brasil Central Introdução lenta do sangue europeu no plantel de cria com adequação gradual do manejo e nutrição Desvantagens: Menor heterose no processo de formação. Esses métodos de cruzamento necessitam de, no mínimo, três gerações para atingir o grau de sangue definitivo da raça. Na prática, isto é muito positivo para o criador, que tem a oportunidade de avaliar, nas condições especificas de sua propriedade, clima e manejo, o desempenho de animais com graus de sangue intermediários, podendo optar pelo genótipo mais funcional para o seu caso. IMPORTANTE ! ! ! Não ultrapassar 5/8 (62,5%) de sangue europeu nas explorações extensivas do Brasil Central. IV) O Brangus no Brasil Central: Dados estatísticos Seleção e Evolução como Raça Em programa de Cruzamento Industrial Características econômicas ligadas à reprodução Características econômicas ligadas à produção. a) Dados Estatísticos: Como podemos ver no quadro abaixo, são poucos os dados estatístico referentes à raça Brangus. Na verdade, até o final da década de 80, o Brangus vinha sendo experimentado em cruzamentos em uma escala bem pequena no Brasil Central, havia dificuldade em se adquirir touros. Era quase necessidade obrigatória passar algum tempo região dos pampas gaúchos, entre Bagé e Uruguaiana, para se encontrar e selecionar uma boa quantidade de touros. Os rebanhos de plantel também só foram surgindo de 1.989 para cá. Matrizes e embriões congelados oriundos da fronteira do R.G. do Sul, Argentina e EUA fundaram os primeiros plantéis de cabanha do Brasil Central. Os núcleos mais importantes estão em São Paulo e Mato Grosso do Sul.
b) Seleção e Evolução como Raça: O Brangus como raça sintética, tem maior vigor da heterose uma arma importante na evolução dos seus índices de produção. Para que a raça se mantenha forte, vigorosa e em constante desenvolvimento, é necessário mais do que selecionar e avançar em gerações. É necessário estar sempre produzindo novas linhagens e partir das raças formadoras; famílias que quando cruzadas entre si estarão produzindo indivíduos com o máximo de vigor híbrido entre o que há de melhor nas raças formadoras e ou nas gerações avançadas. Para exemplificar, podemos citar o que se viu na mais importante exposição da raça nos EUA - Houston / 93: Apesar dos altos índice de produção alcançados por animais de gerações avançadas, a maioria dos campeonato de categoria foi vencida por filhos de um touro de primeira geração (Brangus 34B x A .Angus) em vacas de gerações avançadas e o grande campeonato de machos, foi ganho por um júnior (19 meses )de primeira geração (Brangus 34B x A .Angus). O conhecimento e consciência da importância deste procedimento vai diferenciar a velocidade e nível de evolução da raça Brangus em comparação aos outros programas de desenvolvimento de raças bimestiças. O livro de registro da raça é aberto e aberto deve continuar enquanto houver interesse em mante-la em evolução. O criador de plantel ou cabanheiro tem a missão de realizar este trabalho. A perfeita identificação dos animais, o controle de atividades, as medidas dos índices reprodutivos e produtivos do rebanho, também são obrigatórios para quem decidir selecionar a raça Brangus. Finalizando, é importante lembrar que o trabalho de seleção de raça não pode ser feito a curto prazo, necessitando de boa orientação, bom acompanhamento, persistência, competência e, acima de tudo, paixão. c) Em programa de cruzamento industrial: O uso do Brangus em programa de cruzamento no Brasil Central é simples. Ao criador cabe, simplesmente, adquirir touros de boa qualidade, observando:
A aclimatação dos animais é rápida e a única distinção em relação aos touros zebuínos é o maior cuidado no controle dos parasitos internos (vermes) e externos (berne e carrapato). Um dos grandes ganhos que o cruzamento com o Brangus traz é o encurtamento do ciclo de reprodução. Podemos dizer que, na média, em regime extensivo, o criador ganha um ano no início da vida reprodutiva das novilhas - aos 320 Kg. - e idade de abate dos machos - aos 480 Kg. Em relação ao que vinha sendo conseguido com os puros zebuínos. Porém as maiores vantagens aparecem quando as matrizes cruza Brangus entra em reprodução, são as características maternais que definem o acerto de se escolher o Brangus como raça cruzante para o Brasil Central. Na seqüência, serão apresentados dados e índice reprodutivos e produtivos observados em programas comercial e de cabanha nos últimos 3,5 anos. d) Características Econômicas ligadas à Reprodução:
Índice de prenhez - Serviço por Inseminação Artificial ( * ) - Prenhez por Raça
Prenhez por Estação de Monta (*)
Índice de Prenhez - Serviço por Monta Natural ( * ) Vacas Brangus 12B à 38P - Touro Brangus 38P
308 vacas paridas/10 touros (30,8 vacas / touros) Índice de Prenhez - Serviço por I.A . (c/ Repasse de touro) ( * ) ( dados coletados de 10/90 à 01/93)
2) Idade ao primeiro Parto: Como diz respeito à precocidade e maturidade sexual, a idade ao primeiro parto é característica muito importante na avaliação zootécnica e econômica da exploração dos bovinos de corte. A maior idade ao primeiro parto tem influências negativas na eficiência reprodutiva do rebanho, piorando os resultados econômicos da exploração. A diminuição da idade ao primeiro parto traz como vantagens a redução do intervalo entre gerações, vida produtiva da vaca mais longa e maior intensidade de seleção de fêmeas. Como exemplo, admitindo-se que, na média, uma vaca de cria permanece no rebanho reprodutivo até os 8 anos de idade produzindo 5 possíveis bezerros, uma vaca com menor idade ao primeiro parto terá condições de produzir, até os 8 anos, um produto a mais, ou 20% de aumento de produtividade. Idade à Primeira Cria Valores Médio - Regime Extensivo - Goiás ( * )
3.Intervalos entre Partos: O intervalo entre partos afeta diretamente a eficiência reprodutiva do plantel e, conseqüentemente, a rentabilidade da exploração. É influenciado pelo genótipo dos animais, pelo mês e ano do parto e pela idade dos animais. O ideal é obter-se um bezerro por ano (Intervalo de 10 a 14 meses). Intervalo entre Partos - vacas A.Angus e vacas Brangus 12B/38
4) Parição: Ao analisarmos esta característica devemos lembrar que o peso do bezerro ao nascer, apesar de estar associado positivamente aos seus pesos nas idades adultas, está mais intimamente ligado aos problemas na parição. Partos distócicos causam grande perda ao sistema de criação, não só pela morte de bezerros como também pelos traumatismos causados nas novilhas e vacas. Assim sendo, a seleção deve caminhar no sentido de evitar bezerros com o peso ao nascer muito elevado. Para isso, a primeira media da ser tomada é não acasalar, principalmente novilhas, com touros de raças que apresentam porte grande. O peso ao nascer de bezerros filhos de touros A . Angus e Brangus não difere significativamente daqueles de touros Nelore, ficando entre 27 e 32 Kg. Problemas de parição são praticamente inexistentes. Problema de Parto de Acordo com a Raça dos Touros (em vacas )
Problemas de Parto de Acordo com a Raça dos Touros (em Novilhas) Partos distócicos
PA 205 - Bezerros criados à Campo Nascimento - 1.991 e 1.992
PA 205 - Bezerros criados em Cabanha Nascimento - 1.991 e 1.992
Peso à desmama - Idade média de 210 dias (7 meses ), criados à Campo Nascimento da Primavera de 1.991 e 1.992
Obs: Os bezerros nascidos no outono apresentam peso a desmama de 15 à 20 % menores do que aqueles nascidos na primavera.
PA 365 e PA 550 - Novilha criadas à Campo - Nascimento de 1.991
Garrotes Brangus - cruza com vários graus de sangue Ração com base de subprodutos de cana - NDT=70% e PB = 12%
A história da bovinocultura de corte no Brasil tem início cpom a vinda dos colonisadores, que trouxeram em seus navios animais predominantemente taurinos que aqui iriam auxiliar nos trabalhos e transporte agrícola além de proporcionar alimentos para o consumo humano. Com isso foi-se formando o gado crioulo nacional, que ao longo de três séculos deu origem a um rebanho adaptado, porém com índice de produção terrivelmente baixos. A entrada do Zebu no fim do século passado provocou uma grande melhoria na produtividade da bovinocultura nacional. A adaptação natural e imediata e os bons resultados do cruzamento de reprodutores zebuinos com as matrizes crioulas provocaram o rápido aumento e domínio do gado indiano nos rebanhos do Brasil Central. Já neste século o papel mais importante coube á raça Nelore, que ajuda por importações bem sucedidas tornou-se a raça zebuina mais importante e populosa no Brasil Central. O grande crescimento populacional, a melhoria nas condições de criação e a necessidade de se exportar para mercados mais exigentes, provocaram um necessidade imediata de aumento de produtividade e especialização da bovinocultura nacional . O caminho mais rápido era o cruzamento com raças européias especializadas na produção de carne. Porém as primeiras tentativas, já na metade do século atual, não foram bem sucedidas, A escolhas de raças européias continentais puras para o cruzamento com nossas matrizes aneloradas, provocou perda de tempo, dinheiro e desconfianças em técnicos e criadores, O presente trabalho de introdução ao uso da raça Brangus no Brasil Central uma proposta funcional, técnica, baseada, acima de tudo, na complementação da raça Nelore, na valorização das características de adaptação, precocidade e eficiência, principalmente ligadas aos aspectos maternais da exploração. Esperamos, com isso, despertar o interesse de técnico e criadores para a raça Brangus que certamente, nos próximo anos, vai se provocar mais que adequada á permanecer nos planteis de cria do Brasil Central.
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