PERIQUITO

 

ENCICLOPÉDIA

Vamos focalizar os periquitos ondulados, conhecidos como Australianos.

Os periquitos são de constituição robusta, conseqüentemente pouco sujeitos a doenças. A criação é muito fácil e eles se reproduzem em grande quantidade.

Os periquitos são de constituição robusta, conseqüentemente pouco sujeitos a doenças. A criação é muito fácil e eles se reproduzem em grande quantidade. Em 1872, na Bélgica, surgiram os periquitos amarelos, assinalando assim a primeira etapa do desdobramento do verde inicial. Em 1882, outro criador Belga conseguiu em exemplar amarelo-ouro, sem traços e desenhos características dos antigos ondulados com olhos vermelhos, constituindo uma raridade. Assim, da monotomia do verde inicial, surgiu uma escala de cores que nos deixam entusiasmados diante de tanta beleza. Como vimos, aparecem os amarelos e nas cruzas com os primitivos verdes, originavam o azul, o cinza, o azul cobalto, o azul céu, o verde amarelado, o branco azulado, os opalinos cinza, os opalinos verdes, os opalinos azul céu e azul cobalto, os opalinos violeta, os opalinos amarelo, os arlequinos, enfim uma variedade de cores, hoje identificadas em mais de 50 nuanças maravilhosas. Com seis casais de periquitos, você poderá chegar ao fim de uma estação de cria com 100 filhotes, sem sacrificar demais as suas reprodutoras.

Cada postura regula de 4 a 6 ovos, chegando algumas a 10 e 11 ovos. O período de incubação dura de 17 a 20 dias e os filhotes saem do ninho com um mês mais ou menos de nascidos, pois é o tempo necessário para se cobrirem as penas.

Os machos identificam-se pelas narinas da cor azul - violácea e as fêmeas têm-nas cores parda ou cinza, detalhes que se tornam mais difíceis nos periquitos de cor branca e nos amarelos, cujas diferenças são insignificantes.

O acasalamento só deverá ser feito após haver completado um ano. Antes de colocar os casais no gaiolão de cria, será necessário reuni-los em pequenas gaiolas, durante 20 dias, a fim de que eles se identifiquem com suas companheiras. Ao término desse tempo, poderão ser todos soltos no gaiolão. Criados em grandes voadeiras, a muda processa-se normalmente, um pouco antes do outono e tem uma duração de cerca de seis semanas.

Os periquitos gostam de comer alface, trigo e aveia na modalidade de comida verde, o que se consegue colocando-se as sementes em uma vasilha rasa; espalhando-se cerca de um centímetro dessas sementes, cobre-se com terra e rega-se diariamente e quando os germens tiverem 5cm de altura, poderão ser dados, inclusive com as raízes. Quando os filhotes deixarem o ninho, deve ser-lhes dado pão dormido umedecido com ovo cru batido. A alimentação se baseia em grãos e verduras. Milho verde, dependurado com a própria espiga, eles adoram. Apreciam muito aveia sem casca, sementes de girassol, milho alvo, painço, alpista, chicória, pão duro e osso de siba.

Os ninhos podem ser feitos com a parte grossa do tronco da bananeira, com o tronco de pita, ambos cortados em pedaços de 30cm, que depois de secos são macios, permitindo que os periquitos arquitetem seus famosos ninhos. Veda-se cada extremidade do tronco totalmente com uma tampa de flandres bem fixa. Abre-se um quadrado de 4cm na parte de cima do tronco e o periquito se incubirá de fazer do seu ninho uma obra de arte. Há no comércio caixas de madeira especialmente feitas para servirem de ninho aos periquitos.

A água deve ser abundante e fresca para se banharem quando o desejarem. Deve haver bastante areia fina espalhada no fundo do gaiolão, que deverá ser limpo pelo menos uma vez por semana e desinfetado com solução de 20g de creolina para um litro de água ou 10 g de formol para idêntica quantidade de água usando-se qualquer pulverizador.

As fêmeas que puserem mais de oito ovos em cada postura devem ser eliminadas no ano seguinte, pois se debilitarão em razão desse excesso, ficando, às vezes, em estado deplorável, circunstância que determina ser a mesma sacrificada, evitando um longo sofrimento e uma dificílima recuperação. Os periquitos têm tendências a fazer criação continuada, muitas vezes, até mesmo na muda. Por isso, não devemos permitir o acasalamento durante toda a primavera e o inverno, retirando-se todos os ninhos, a fim de desinfetá-lo e de prepará-los para a nova estação de cria. Convêm, com muito cuidado, periodicamente, verificar os ninhos, pois pode acontecer que a fêmea ou filhotes tenham morrido ali; portanto, constitui uma precaução necessária para evitar surpresas desagradáveis. Algumas fêmeas não esboçam qualquer reação, outras de defendem ou abandonam o ninho. O criador deverá fazer a inspeção rápida e afastar-se imediatamente.

Na criação de periquitos, como em qualquer outra, há a necessidade de selecionar os reprodutores entre os mais sadios, vigorosos e que apresentem uma plumagem realmente bela. Como já salientamos, os periquitos não são tão sujeitos a doenças como os outros pássaros. As mais comuns de correm de alimentação inadequada. Deve-se evitar de lhes dar doces, comidas de panela e outras esquisitices, embora eles as aceitem de bom gosto.

O periquito doente reconhece-se pela plumagem arrepiada, os olhos meio cerrados ou ainda pela colocação da cabeça debaixo da asa. O resfriado, via de regra, manifesta-se pelo corrimento das narinas, devendo ser imediatamente tratado para evitar a contaminação. Usa-se um algodão molhado em água morna, onde se tenham pingado algumas gotas de um antisséptico suave e passa-se nas narinas do periquito. Em seguida, deve-se aplicar um pouco de vaselina boricada. Não cedendo rapidamente a enfermidade, poder-se-á fazer uma inalação com mentol, colocado em um pequeno recipiente com água quente, ao qual se adaptará um canudo de papel e na outra extremidade colocar-se-ão as narinas do pássaro, a fim de que aspire o inalante. Como comida, dar pão torrado e molhado em leite adocicado. Dar para beber efusão de Altheina adocicada. A bicagem ou o arrancar de pernas de companheiros ou dos próprios filhotes, decorre de carência alimentar, com tendência à avitaminose. Às vezes, uma diarréia persistente pode trazer sérias conseqüências. Nessas ocasiões, deve-se suspender a alimentação normal e dar somente arroz cozido salpicado com um pouco de bismuto. No bebedouro convém colocar um antisséptico.